quinta-feira, 30 de agosto de 2007
IR Ecológico é aprovado
O Projeto de Lei que prevê a criação do IR Ecológico foi aprovado por unanimidade nesta quarta-feira (29 de agosto) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados. O PL 5.974/05 do Senado Federal dispõe sobre estímulos fiscais para projetos ambientais, prevendo que pessoas físicas poderão deduzir até 80% do valor das doações e 60% dos patrocínios dirigidos a projetos ambientais previamente aprovados pelo poder público, até o limite de 6% do imposto de renda (IR) devido. No caso de pessoas jurídicas, poderão ser deduzidos até 40% do valor das doações e 30% dos patrocínios, respeitado o limite de 4% do IR.
O Projeto contempla também incentivos para doações ao FNMA (Fundo Nacional do Meio Ambiente), e abre a possibilidade de benefício para outros fundos públicos ambientais, desde que sejam habilitados pelo governo federal. Ressalte-se que a proposta não implica em aumento de renúncia fiscal, adaptando-se plenamente à legislação tributária em vigor, inclusive em relação aos limites de deduções possíveis. Preocupa-se ainda em evitar fraudes à sistemática de incentivos fiscais criada, mediante a inserção de tipo penal específico na Lei de Crimes Ambientais.
A aprovação do Projeto trará grandes benefícios para os fundos ambientais públicos, para as organizações não-governamentais que atuam na área e, acima de tudo, para o meio ambiente e para a sociedade brasileira.
De autoria do Senado Federal, o projeto substitutivo foi redigido com o apoio da Ação pelo IR Ecológico, composto por representantes de ONGs ambientais, empresas e voluntários comprometidos com o tema ambiental. A proposta segue agora para aprovação em plenário na Câmara dos Deputados e depois no Senado Federal.
A Ação pelo IR Ecológico foi criada em 2005 para estudar mecanismos econômicos capazes de estimular o setor ambiental. É composta atualmente pelas seguintes organizações não-governamentais, empresas e especialistas: WWF-Brasil, The Nature Conservancy (TNC), Conservação Internacional (CI), Fundação SOS Mata Atlântica, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Fundação Biodiversitas, Instituto Bioatlântica, Pinheiro Neto Advogados, PATRI e Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE).
Fonte: Paraná On Line
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Rodeio ou barbárie?
Mas pouco - ou quase nada - se fala dos rodeios, muitas vezes glamourizados pelas mídias.
O vídeo abaixo mostra cenas fortes, muito fortes! Mas é importante assisti-lo e divulgá-lo para que a sociedade não fique indiferente a essa barbárie.
domingo, 26 de agosto de 2007
Matéria (muito!) Infeliz

“ Irara, Lontra, Ferret (furão) são bichinhos de estimação até pouco convencionais, mas aos poucos vão ganhando espaço em vários países do mundo!”
E segue:
“Aqui no Brasil eles não são muito comuns não, mas já despertam a atenção de alguns criadores...”
E pior:
“...e eles podem ser uma opção para quem quer um bichinho, digamos, meio diferente...”
Mais para frente a repórter diz:
“...personalidades transformadas pelo homem...”
E ainda:
“...criados como cachorros...”
A matéria tem 3’31 minutos de duração e foi feita pela jornalista Cleyde Clock para o Jornal do Almoço da RBS TV (Globo SC).
Em nenhum momento a reportagem realçou que a Legislação Ambiental é bem clara quando não permite animais silvestres serem criados em cativeiro. Em apenas um breve momento a repórter balbucia que a pequena lontra mostrada não poderia ser bichinho de estimação.
Fica o nosso protesto pela péssima pauta divulgada no principal jornal televisivo da maior rede de televisão do estado em pleno sábado.
Uma matéria dessa tem potencial para destruir anos de trabalhos em educação ambiental junto aos estudantes e comunidades rurais e urbanas.
É lamentável sobre todos os aspectos uma emissora com tanta audiência e respeitabilidade omitir informações básicas sobre um assunto tão delicado e ainda estimular uma prática prevista como crime ambiental sujeito inclusive à prisão e, pior, estimular a prática condenável de se ter animais em extinção como "bichinhos de estimação". Com a agravante de estarmos em plena época de mudanças climáticas e diminuição drástica da biodiversidade do planeta.
Pedimos providências para que a emissora faça uma matéria esclarecendo imediatamente as informações errôneas e prejudiciais ao meio ambiente.
Para assitir a matéria acesse e clique em "reproduzir a mídia":
http://switchboard.real.com/player/email.html?PV=6.0.12&&title=3231314&link=rtsp%3A%2F%2Freal.rbsonline.com.br%2Fvideo%2F3231314.rm
1. Quantas pessoas você conhece que possui ou já possuiu um animal silvestre (o papagaio da vovó, o pássaro preto do vizinho, o canário do amigo, o coleirinho na gaiola da venda, etc);
Se eu retiro do ambiente uma espécie que dispersa a semente de determinada árvore pode ser que esta árvore não mais conseguirá se reproduzir e, se suas folhas servem de alimento para determinado tipo de inseto, dentro de alguns anos este também poderá se extinguir. Este inseto podia ser o principal alimento de determinado pássaro que agora também será afetado pela retirada daquela primeira espécie que não possuía uma relação direta com ele. Estas são as implicações do tráfico na teia ecológica e muitas vezes pode afetar espécies que, a princípio se imaginaria não ter nenhuma relação com a espécie traficada.
Liberdade para quê?
quarta-feira, 22 de agosto de 2007
Estado adota Reservas Particulares

Programa semelhante ao do Ibama permitirá que donos de terras criem áreas de preservação
Paulo Roberto Araújo
O município de Silva Jardim, onde fica a Reserva Biológica de Poço das Antas, que preserva o mico-leão-dourado, é o que tem o maior número de RPPNs no Brasil. São dez RPPNs legalizadas e outras 13 em fase final de aprovação no Ibama.
domingo, 19 de agosto de 2007
Brasil: primeira potência ambiental?


A presença do Estado nas áreas de fronteira do desmatamento teve papel importante para desarticular as atividades de exploração madeireira e permitir a diminuição da taxa anual de desflorestamento na região.
sábado, 18 de agosto de 2007
Klink, a Ilha e o mar

Veja abaixo texto da coluna de Moacir Pereira no Diário Catarinense sobre a palestra de Amyr Klink em Florianópolis.
Mais no http://www.rppnriodaslontras.blogspot.com/
Moacir Pereira - 17/08/2007
Klink, a Ilha e o mar
Maior ilha do Arquipélago das Baleares e uma das maravilhas da costa espanhola, Maiorca conta com 7 mil barcos, que garantem uma receita de US$ 400 milhões, 70 mil empregos diretos e 250 mil indiretos. São 41 marinas a prestar serviços ágeis e de qualidade para embarcações de todo o mundo. A capital, Palma de Maiorca, tem cerca de 400 mil habitantes. A economia move-se pelo turismo sustentável, e, neste rico segmento, pela força do lazer e dos esportes náuticos.
A Ilha de Santa Catarina tem tudo para executar um projeto semelhante, com benefícios para toda a população. Faltam, contudo, infra-estrutura, ordenamento legal, um projeto legitimado pela população, segurança jurídica e vontade política.
Esta a tese de Amyr Klink, experiente navegador paulista, personagem mundial de façanhas e recordes de viagens solitárias, ao falar sobre os graves riscos do aquecimento global para um plenário atento, que lotou o auditório Antonieta de Barros da Assembléia Legislativa.
Sugeriu a construção, na Ilha, de uma marina pública com gestão privada para mil barcos. As concessões, feitas por licitação, garantirão a qualidade dos serviços pela concorrência. A Capital carece, também, de pequenas marinas ao redor da Ilha e de atracadouros com píeres flutuantes, permitindo, aos moradores e aos turistas, o acesso às belezas naturais.
Há problemas locais, mas também óbices na legislação nacional. O litoral brasileiro tem extraordinário potencial para expandir o turismo de charters, com navios de médio porte para 200 passageiros. É um dos setores do turismo náutico que mais cresce no mundo, particularmente na Europa. Mas aqui as leis são atrasadas, restritivas, irreais, burras.
Em conversa com os jornalistas, Amyr Klink quis saber quantas escolas de vela existem em Florianópolis. E informou que a França possui 7 mil clubes de vela, criados com incentivos governamentais e comunitários pela sua força educativa. A prática da vela e o contato com o mar incentivam nas crianças e nos jovens a disciplina, o respeito, a consciência ambiental e noções de responsabilidade. Fermentos na formação da cidadania.
Depois de várias viagens à Antártica, mostra-se assustado com o aquecimento global. Há 15 anos, tomava banho de sol. Hoje, exposição mínima causa queimaduras de primeiro grau. Contou que um cabo de polipropileno usado no barco durava até seis anos. Hoje, o mesmo cabo vira pó com um ano de uso na Antártica.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Expedição na Amazônia

Em folha de papel, inseto descoberto durante expedição
Expedição desbrava área quase inexplorada da Amazônia
GIOVANA GIRARDIda Folha de S.Paulo, em Manaus
Duas expedições científicas neste ano à região entre os rios Purus e Madeira mostram que essa área de floresta, provavelmente a mais biodiversa de todas as divisões ecológicas da Amazônia, deve mesmo ser a detentora deste título.
O interflúvio (região entre rios) com cerca de 40 milhões de hectares, representa menos de 5% da floresta amazônica, mas em apenas duas viagens os cientistas encontraram pelo menos quatro novas espécies de aves, três de mamíferos e algumas dezenas de aracnídeos desconhecidos. O material, coletado entre abril e maio e, depois, em julho deste ano, mostra uma biodiversidade ameaçada por planos de ocupação.
Ainda predominantemente sem impacto, o interflúvio Purus-Madeira está na mira de projetos como a pavimentação da BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM) e a criação de um gasoduto entre Urucu (AM) e Porto Velho --ambos os projetos cortam a área. Também ameaçam a região a construção de hidrelétricas no rio Madeira, a onda de extração madeireira em expansão no sudeste do Amazonas e o avanço da agroindústria, em especial da soja, e da pecuária.
Riqueza ameaçada
"O cenário está armado para destruir uma área pequena, até então desconhecida e que imaginávamos ter um potencial absurdo de biodiversidade e endemismo [espécies únicas do lugar]", conta o ornitólogo Mario Cohn-Haft, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), que liderou a expedição do projeto Geoma (Rede Temática de Pesquisa em Modelagem Ambiental da Amazônia).

Opilião encontrado em expedição é uma possível nova espécie, dizem pesquisadores
As seis semanas em que o grupo ficou no mato driblando atoleiros mostram que há mesmo algo a perder. "Encontramos espécies que não somente nunca tinha sido observadas, como aparentemente só existem naquela região", diz Cohn-Haft. Os animais coletados estão agora sendo analisados pelos biólogos para definir se realmente tratam-se de novas espécies. Após confirmação, as descobertas serão publicadas em revistas científicas.
Cohn-Haft já adianta, no entanto, que ao menos quatro das aves que ele observou são muito provavelmente espécies novas, sendo duas delas endêmicas. "Eu já tinha visto essas aves em expedições anteriores, mas só agora encontrei vários exemplares. É uma série grande o suficiente para poder descrever."
A importância dos achados aumenta quando se leva em conta que as aves são o grupo mais bem conhecido pelos biólogos. A descoberta de tantas novidades, segundo o pesquisador, funciona como um termômetro da diversidade da região. E, mesmo assim, Cohn-Haft acredita que em alguns anos vai dobrar o número de espécies descritas na Amazônia.
Entre os mamíferos, os primatólogos acreditam ter avistado ao menos uma espécie nova de macaco. Foi coletado ainda um sagüi que provavelmente é uma nova subespécie e um primata visto como uma "redescoberta" da ciência.

Esperança, inseto considerado raro, é abundante na região recém-explorada
Trata-se de um animal que já havia sido descrito na literatura, mas que nunca mais tinha sido visto. "Ele ficou meio desacreditado, supunha-se que podia ser apenas um indivíduo extraordinário, mas agora achamos uma população inteira dele", conta o pesquisador.
Ainda entre os mamíferos, os biólogos apostam num esquilo e numa gatiara (mamífero noturno) como novas espécies.
O grupo animal que deve trazer mais novidades, no entanto, é o dos aracnídeos e opiliões (aranhas de longas pernas). Eles ainda são tão pouco conhecidos que a expectativa é que 95% dos animais encontrados sejam novas espécies.
A presença de animais tão diferentes em um espaço relativamente tão pequeno é explicada porque a região engloba também tipos de ambiente muito diferentes. Na mesma área há tanto floresta típica, quanto várzeas inundáveis, pequenas serras, bambuzais e campos. "Tudo isso num interfluviozinho ameaçado por tudo quanto é projeto de desenvolvimento", diz Cohn-Haft.
Fonte: Folha Ciência - Fotos: Mario Cohn-Haft/Divulgação

Impacto de usinas no rio Madeira é imprevisível, diz biólogo
da BBC Brasil
O cientista Mario Cohn-Haft, que recentemente liderou uma expedição que descobriu espécies diferentes de animais e plantas na região próxima ao rio Madeira, na Amazônia, disse que o impacto da construção de usinas no rio é "imprevisível".
Em abril e julho deste ano, Mario Cohn-Haft, biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA), encontrou variedades diferentes de animais e plantas na região entre os rios Purus e Madeira.
No mês passado, o governo federal aprovou as licenças prévias para a construção de duas usinas no rio Madeira.
As usinas de Santo Antônio e Jirau --cujos editais estão em fase de elaboração-- gerariam 6.500 megawatts, o equivalente a metade da potência de Itaipu, uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo em potência.
Cohn-Haft explica que a região onde foram encontradas novas espécies não será diretamente afetada, pois está fora da área que será inundada para a construção das barragens.
Mas o impacto indireto das barragens pode ser grande o suficiente para afetar a biodiversidade local.
"O impacto de barragens em um rio com teor sedimentar muito grande como o Madeira é imprevisível. Nós não temos precedentes para saber", disse o biólogo à BBC Brasil.
"O rio Madeira é o quarto maior e um dos mais barrentos do mundo. Então, colocar barragem em um rio como esses e dizer que nós sabemos o que vai acontecer é muita ousadia."
Cohn-Haft diz que até mesmo o rio Amazonas pode ser afetado pelas barragens.
"Se isso causar uma diminuição no teor sedimentar do rio, isso pode impactar a fertilidade e a produtividade da várzea todinha. Então se você faz isso no alto do rio Madeira, impacta o sistema biológico do resto do rio inteiro e o próprio rio Amazonas, ao qual o Madeira é o maior contribuinte de sedimentos."
O cientista também afirma que a colonização e o aumento no número de habitantes na região também podem ter impacto no local.
"Uma vez que você tem grandes projetos que estão empregando gente, atraindo gente de outras partes do país, encorajando investimento, agricultura, agropecuária, rapidinho a área toda é colonizada, é desmatada, é convertida permanentemente."
terça-feira, 14 de agosto de 2007
Ilha da magia.

Fonte: Agência Estado
O Ministério Público de Santa Catarina abriu uma investigação criminal para apurar a suspeita de que o prefeito de Florianópolis, Dario Berger (PSDB), tenha sancionado uma lei de incentivo à hotelaria para beneficiar grandes empresas do setor que operam na capital catarinense. O procedimento investigatório foi aberto anteontem pelo procurador-chefe da Justiça no Estado, Gerino Neto.
O Ministério Público Federal já investiga Berger por supostos tráfico de influência e autorizações ilegais para construção em áreas da União, em praias de Florianópolis. Em agosto, a Câmara Municipal decide se instala comissão para processar o prefeito.
A procuradora Gladys Afonso vai coordenar a apuração no Ministério Público catarinense. Ela integra um grupo especial de apoio ao gabinete de Gomes Neto que tem autonomia para investigar e oferecer denúncias (propostas de ações criminais) contra agentes públicos com foro privilegiado, caso do prefeito.
A lei dos hotéis foi aprovada na Câmara em dezembro passado. Prevê isenção do pagamento de até 50% do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e do ISS (Imposto sobre Serviços), conforme o porte da empresa e o número de empregados.
A suspeita contra autoridades de Florianópolis surgiu nas escutas monitoradas pela Polícia Federal que levaram à Operação Moeda Verde. Em maio, na operação, a PF prendeu secretários e funcionários municipais, dirigentes e funcionários de órgãos estaduais de ambiente, dois vereadores e nove empresários.
Quem te viu, quem te vê.
Para quem já viu a posição do Governador de Santa Catarina falando sobre meio ambiente, vai estranhar a nota abaixo, publicada hoje numa coluna de economia do Diário Catarinense:
14/08/2007
SC quer integrar bolsa ecológica
O Estado de Santa Catarina quer filiar-se à Chicago Climate Exchange (CCX), a maior bolsa internacional de intercâmbio de créditos de carbono, baseada em Chicago, EUA. O secretário de Estado de Relações Internacionais, Vinícius Lummertz, acaba de retornar dos EUA, onde solicitou as regras necessárias para o Estado se tornar membro da bolsa.
Essa iniciativa pode colocar SC como o primeiro Estado do Hemisfério Sul a ingressar na CCX, onde já estão o Estado do Novo México, dos EUA, e a cidade de Chicago. Uma das metas do governador Luiz Henrique, com essa inclusão, é preparar SC para receber recursos internacionais por manter florestas. O Estado conta, hoje, com 35% de toda a Mata Atlântica preservada do país. Lummertz também reforçou o convite para o fundador da bolsa, Richard Sandor, vir a Florianópolis para participar do Eco Power, evento de energias alternativas, em novembro.
Na Califórnia, Lummertz se reuniu com Michael Milken, um dos maiores promotores de eventos de desenvolvimento dos EUA, para propor intercâmbio entre SC e o Estado da Califórnia visando a novos negócios ao setor privado e intercâmbio de gestão, devido a semelhanças entre as duas regiões. Em Nova York, falou sobre investimentos com o banco Calyon.
domingo, 12 de agosto de 2007
Inimigos do planeta

Antonio Ermírio de Moraes do Grupo Votorantim e LHS Governador de Santa Catarina. O primeiro é um dos maiores inimigos dos Licenciamentos Ambientais, o outro é o ganhador do Prêmio Motoserra de Ouro 2006. Que dará a união dos dois?
* Veja matéria sobre a Votorantim em Santa Catarina: http://www.rppnriodaslontras.blogspot.com/
* Assista vídeo em que o Governador LHS fala o que pensa sobre o meio ambiente: http://video.google.com/videoplay?docid=-8286208201407673708&hl=en
Leia abaixo artigo de Rui Kureda publicado no site Corredores de Biodiversidade da Mata Atlântica:
11 mil hectares de Mata Atlântica seriam inundados com a construção de Tijuco Alto
08 de agosto de 2007
No início de julho, a realização de audiências públicas nas cidades de Cerro Azul, Adrianópolis (PR), Ribeira e Eldorado (SP) trouxe à berlinda o polêmico projeto da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto (UHE Tijuco Alto). No dia 10 (após o fechamento desta edição), mais uma audiência estava prevista, dessa vez na cidade de Registro (SP).
Na verdade, estes são apenas os mais recentes episódios de uma guerra que se arrasta há quase duas décadas, envolvendo, de um lado, o mega-empresário Antonio Ermírio de Moraes, presidente da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), e, de outro, comunidades quilombolas, indígenas, populações ribeirinhas, ambientalistas e movimentos sociais, como o Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab).
Uma usina para Antonio Ermírio
O empresário Antonio Ermírio é conhecido por sua campanha contra os licenciamentos ambientais, vistos por ele como obstáculos ao desenvolvimento. E a sua trajetória demonstra que a sua prática é coerente com o seu discurso: não faltam denúncias de agressões ao meio ambiente.
Em 2005, por exemplo, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a ONG Terra de Direitos denunciaram formalmente a CBA e a Alcoa Alumínios S.A junto à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), sob a acusação de violação de direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais na construção da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul.
Ao longo dessas duas décadas, Ermírio viu suas tentativas de obter a licença prévia para a construção das Usina de Tijuco Alto serem frustradas várias vezes. A última delas foi em 2003, quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) rejeitou o estudo de impacto ambiental (EIA) apresentado pela CBA por considerá-lo incompleto. Mas ele não se fez de rogado e iniciou estudos para a elaboração de um novo EIA, que foi entregue ao Ibama em outubro de 2005.
Para o empresário, a demora na liberação de licenciamentos ambientais para a construção de usinas hidrelétricas deve-se à falta de "coragem e competência" do governo. A tenacidade com que vem insistindo no projeto da UHE Tijuco Alto, entretanto, não se explica por qualquer apreço ao "progresso" ou ao "desenvolvimento".
A CBA tem planos de expandir em 30% a produção de alumínio na sua unidade no município de Alumínio (SP). Ao mesmo tempo, pretende manter o nível de auto-suficiência energética que é hoje cerca de 60%. A usina, caso seja construída, teria a finalidade única de proporcionar energia abundante e barata para a sua empresa.
Este é um dos pontos mais atacados pelos movimentos sociais como o MAB, que denuncia o modelo energético vigente por seu caráter concentrador que privilegia as empresas em detrimento das necessidades da população.
Catástrofe ambiental
Os impactos da UHE Tijuco Alto são imensos. Bastaria lembrar que o Ribeira de Iguape é o último grande rio de São Paulo sem barragens e que o Vale do Ribeira, considerado Patrimônio Natural da Humanidade desde 1999, comporta 21% do que resta da Mata Atlântica de todo o país. A construção da barragem causaria um dano enorme à vegetação e fauna locais, resultando num alagamento de 11 mil hectares de floresta.
Mas seus impactos vão muito além dessa conseqüência evidente. No passado, uma das principais atividades econômicas do Vale do Ribeira foi a mineração e extração de chumbo. Ainda persistem resíduos na região e, caso a barragem seja construída, todo o rio pode ser contaminado, colocando em risco a vida das populações ribeirinhas, além dos animais e peixes.
Além disso, um fato pouco conhecido são os danos que a barragem causaria ao Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá. As cidades de Iguape, Ilha Comprida, Pariquera-Açu e Cananéia recebem grande quantidade sedimentos e nutrientes dos rios da região, em particular do rio Ribeira de Iguape.
Finalmente, os planos da CBA não se restrinjem à construção da UHE Tijuco Alto. Mais três Usinas seriam construídas.
Texto: Rui Kureda
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Fogo Fátuo

Muitas lendas são contadas pelos colonos descendentes de alemães.
A primeira que ouvimos foi quando fomos conhecer o terreno que futuramente iríamos criar a RPPN Rio das Lontras, bem aos pés da enorme cachoeira, ainda no impacto de vermos tão belo cenário:
"...Uma vez uma moça, não mais de 20 anos, iria visitar um sítio vizinho. Saiu da estrada para cortar caminho e precisava atravessar o rio, que estava alto com as últimas chuvas. Ela sumiu, e por vários dias a procuraram. Tristemente encontraram vestígios de seu vestido cachoeira abaixo..."
Esse "causo" remoto, do começo do século passado, mas até hoje as crianças e mesmo os adultos evitam as pedras escorregadias do alto da cachoeira e mesmo pescarem a noite, pois há quem jure de pés juntos que já "viu" a alma da pobre moça vagando pelas redondezas.
A outra lenda interessante que nos chamou a atenção foi a dos marcos nas divisas entre os terrenos. Não existem cercas no meio da floresta dividindo as propriedades, apenas pequenas pedras colocadas de forma a criarem uma linha divisória, o que nos levou a indagar sobre a possibilidade de uma pessoa mau-intencionada mudar as mesmas. E a resposta é a mais séria possível: "...Jamais!". E diz a lenda:
"...Certa vez dois confrontantes de terrenos resolveram demarcar os terrenos e trabalharam por dias a fio carregando e colocando pedras semi enterradas. Serviço terminado comemoraram com um almoço e firmaram um pacto de que ali ninguém mais mexeria, nem mesmo os descendentes. Meses depois um dos colonos morreu. O outro, aproveitando a oportunidade voltou no local fronteiriço e moveu as pedras aumentando sua área. A noite, dormindo, acordou com alguém sacudindo seus pés. Quando abriu os olhos deparou-se com a alma do falecido carregando uma pedra, que foi colocada nos pés da cama..."
Como a região é montanhosa e os rios encachoeirados sofrem ação de enchentes ocasionais, acabam formando algumas lagoas nas suas beiradas, acumulando água e matéria em decomposição. Como os relatos são relativamente confiáveis e costumeiros, chegamos a conclusão que trata-se do fenômeno "Fogo Fátuo":
Visão folclórica:
Nas lendas na Inglaterra o herói desvira uma peça de roupa para fazer desaparecer o poder do fogo.
Os fogos fátuos dão origem a muitas superstições populares. Se acredita que são espíritos malignos que molestam ou fazem se extraviar os viajantes ou afastar alguém que tenta se aproximar. Há quem os consideram como presságios de morte ou desgraças.
Fenômeno:
Os fogos-fátuos são produtos da combustão do gás metano gerados pela decomposição de substâncias orgânicas, ou a fosforescência natural dos sais de cálcio presentes nos ossos enterrados.
Muitos que avistam o fenômeno tendem a evacuar o local rapidamente, o que, devido ao deslocamento do ar, faz com que o fogo fátuo mova-se na mesma direção da pessoa. Tal fato leva muitos a acreditar que o fenômeno se trata de um evento sobrenatural, tais como espíritos, fantasmas, dentre outros.