terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

NEVE EM PINDA: UMA GELADA!

Pico do Itapeva: Imagem de uma chuva torrencial nos seus arredores: lugar de neve?

No ano passado o Pitacos já tinha comentado aqui a idéia insana de um mega projeto turístico de esqui em neve artificial em área de proteção permanente (APP) no alto da Serra da Mantiqueira, em Pindamonhangaba - LEIA AQUI!

O que mais chama a atenção nessa história toda é a serventia (para não dizer "babação") da maior parte da imprensa, das autoridades e de boa parte da opinião pública em achar que um investimento de 38 milhões de reais em uma área de 3 milhões de metros quadrados no pico do Itapeva vai ser necessariamente bom.

O modelo realmente existe em outros países e o empresário diz que vai implantar o projeto num local bem próximo ao Capivari, em Campos do Jordão (logo abaixo da represa do Itapeva). Porém existe um "pequenino" problema: O local é uma Área de Preservação Permanente em "topo de morro"(LEI 4771/65, artigo 2°, alínea "d"), além da vegetação existente ser campos de altitude, ou seja, não vai ser tão fácil assim de conseguir o licenciamento, aliás, alguns profissionais da área ambiental dizem que é "praticamente impossível" neste local.


Pior ainda, o empresário colocou a venda ingressos e quase todos foram vendidos para inauguração em maio próximo, sendo que sequer ele tinha o processo de licenciamento protocolado (hoje está na página principal do SITE SKICLUB que a "inauguração foi adiada devido à crise mundial e seus reflexos já visíveis aqui no Brasil"). Aí fica a pergunta: como uma empresa coloca a venda uma coisa que não existe de fato?


PERGUNTAS QUE NÃO QUEREM CALAR

Alguém já procurou saber de onde vem todo esse dinheiro?
É moral a prefeitura de Pinda negociar a concessão de incentivos fiscais para esse negócio?
Realmente vai gerar 1000 empregos diretos e outros mil indiretos como divulgado?
Por que quando se noticia o empreendimento mostram fotos de outros países e não mostram imagens do local das obras?
Já fizeram estudos de impacto ambiental?

Agora uma matéria publicada no site camposdojordao.com mostra que o oba-oba cantarolado por muitos pode ser uma imensa roubada, ou melhor ainda, como diz a chamada abaixo: Uma bela de uma gelada!

Pista de esqui pode ser uma gelada

Nas últimas semanas, a mídia regional, os grandes diários e até telejornais com alcance nacional se apressaram a veicular a notícia de que o Pico do Itapeva irá abrigar pistas de esqui permanentes, acompanhado por uma estrutura que prevê shopping com 20 mil m² de construção e estacionamento para quatro mil carros. Há até data para a inauguração das pistas: 15 de maio de 2009. Ingressos foram colocados à venda ao preço de R$ 300,00 para a alta temporada e de R$ 230,00 para a época de baixo movimento.

Ocorre que as encostas às margens do Pico fazem parte da APA da Serra da Mantiqueira, e as leis são particularmente severas com as intervenções no meio ambiente da região. Além da questão do topo de morro, o projeto envolvendo as pistas prevê a supressão dos campos de altitude, para o plantio de grama – algo que a legislação não permite.
O idealizador do projeto, André Meyer Pflug afirma que requereu a licença ambiental. O Ibama negou que houvesse sido protocolado algum pedido de licenciamento referentes às pistas de esqui. Já o DEPRN informou que o órgão não conta com nenhum protocolo que faça menção à Skiclub – nome do empreendimento.

Licenciamento Demora Seis Meses

Todas as pessoas ouvidas pela reportagem se mostraram surpresas, ao saber que o empresário André Pflug marcou o início das operações para maio. Conforme os especialistas da área, esse tipo de licenciamento costuma demorar pelo menos seis meses.

O secretário da Integração e Meio Ambiente de Pinda, Carlos Marcondes, afirmou que aguarda a apresentação da licença, para que a prefeitura autorize o andamento do projeto.
O escritório central do DEPRN em São Paulo informou que irá verificar se há algum pedido de licenciamento para as pistas. “Com o nome Skiclub não tem”, informou o assessor de imprensa Nilton Miúra. A pesquisa se estenderá à CETESB e ao DAIA (Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental).
O escritório do Ibama em Caraguatatuba, ao qual está circunscrito o Pico do Itapeva, informou que não foi feito nenhum pedido de licenciamento para a região, que envolvesse pistas de esqui. O analista ambiental no Ibama de São Paulo, Carlos Schneider, também negou que a unidade tivesse recebido algum pedido de licença para o Pico. Ele também explicou que um licenciamento envolvendo pistas de esqui compete ao DEPRN.
Em entrevista à Folha Online, André Pflug assinalou que aguardava a autorização de órgãos como Ibama.“O Ibama cuida de licenciamentos que englobem ferrovias, hidreelétricas, usinas nucleares e casos que envolvam reservas indígenas”, esclareceu o analista Carlos Schneider.

Seguro para Indenizar

A reportagem perguntou ao empresário André Pflug se não poderia conversar com os profissionais do escritório que o estaria assessorando com o licenciamento. “Não porque se trata de algo sigiloso”, respondeu. Da mesma forma, o empresário disse que não poderia revelar de imediato o número do protocolo, referente à licença ambiental. Ele destacou ainda que tão logo a licença saísse, isso seria informado no site da empresa (http://www.skiclub.com.br/).

Indagado quanto a solução que daria às pessoas que já compraram os ingressos, caso as pistas não fiquem prontas até o feriado de Corpus Christi, André disse que fez um seguro que garante a indenização dos compradores, para o caso de haver algum imprevisto.

Fonte: http://www.camposdojordao.com

VEJA ABAIXO ENTREVISTA COM O EMPRESÁRIO ANDRÉ MEYER PFLUG






sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

NOVA ESPÉCIE DE PEIXE É DESCOBERTA

A piaba dálmata é transparente, o que permite ver seus órgãos internos, como a bexiga natatória, a bolha que o animal tem dentro do corpo para controlar a profundidade em que nada.

Descoberta na Amazônia nova espécie de peixe miniatura transparente
Piaba dálmata vive nos Rios Madeira e Purus.
Exemplares encontrados não passam de 20 milímetros de comprimento.

Dennis Barbosa
Do Globo Amazônia, em São Paulo

Uma nova espécie de peixe ornamental que habita os Rios Madeira e Purus foi descoberta pela pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas e da Universidade do Estado do Amazonas Cristina Bührnheim.

Por seu tamanho reduzido em comparação a outros peixes do mesmo grupo, a piaba dálmata (Amazonspinther dalmata) é considerada uma miniatura – os exemplares coletados têm em média 17 milímetros e não passam de 20 milímetros de comprimento, quando outras piabas chegam a 60 milímetros.

“A miniaturização é um fenômeno evolutivo que ocorre em vários tipos de animais”, explica Bührneim. A ciência, no entanto, não tem uma explicação definitiva sobre por que certos tipos de animais diminuem de tamanho.

O nome "dálmata" decorre das três manchas pretas que o peixe apresenta. Para Bührnheim, a espécie tem potencial comercial. A publicação da descoberta foi feita em dezembro na revista científica "Neotropical Ichthyology".

Esta espécie de peixe vive em cardumes e foi coletada pela primeira vez no Rio Madeira, em Rondônia, em local próximo a uma futura usina hidrelétrica.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

AMBIENTALISTA AGREDIDO

A nota abaixo foi publicada no site O ECO no dia 12 de fevereiro de 2009 no "salada verde".
Em março de 2007 fizemos uma entrevista com o biólogo Jorge Luiz Albuquerque (publicada posteriormente no blog da RPPN Rio das Lontras -
LEIA AQUI!) onde falamos sobre o projeto da multinacional Bunge em construir uma mineração de fosfato num dos remanescentes mais belos de Mata Atlântica em Santa Catarina.
A agressão relatada na nota do O ECO é um reflexo da ignorância e da mentalidade predominante das crias do capitalismo insano. Infelizmente o Governo do Estado de Santa Catarina caminha a passos largos contra as noções mais básicas de respeito à natureza e da "inteligência ambiental".



Ambientalista agredido em SC
Salada Verde

A briga entre a Bunge e ambientalistas de Santa Catarina que lutam para que a empresa de fertilizantes não inicie a extração de fostato nas serras de Anitápolis, município a 108 quilômetros de Florianópolis, está chegando às vias de fato. No último dia 5, durante terceira audiência-pública promovida pela Bunge, o ornitólogo Jorge Albuquerque foi agredido pelo caseiro de um dos diretores da empresa. Albuquerque só não se machucou porque duas outras pessoas seguraram o braço do agressor, que vinha pelas costas do ornitólogo, minimizando o impacto do golpe. Albuquerque teve de deixar a audiência escoltado por um policial militar.

Esta não é a primeira vez que o ambientalista é agredido. Durante a primeira audiência pública realizada pela multinacional, em 2007, o ornitólogo foi acertado na cabeça por um objeto de papel. “O que eles vão fazer da próxima vez? Me dar um tiro?” questiona-se. Segundo ele, houve vários momentos de tensão no encontro do dia 5. Os que se mostravam contra o empreendimento ou questionavam pontos do Estudo de Impacto Ambiental eram vaiados durante suas falas. O produtor de plantas medicinais Geraldo Silva Jardim foi perseguido ao final da reunião.

Contra a fosfateira pesam os fatos de que os dois lagos da mina devem alagar uma grande área que hoje abriga espécies ameaçadas de extinção, como a canela-preta (Ocotea catharinensis) e o gavião-real-falso (Morphnus guianensis). Também há risco de contaminação do rio Braço do Norte, de vazamento de enxofre e fosfato nas estradas que serão usadas para escoar os produtos e de desmoronamento da barragem dos lagos, já que a área é muito acidentada. Em favor do empreendimento, a Bunge argumenta que é necessário produzir mais fertilizantes para que não haja crise alimentícia.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

MATÉRIA INFELIZ 2

Que absurdo!

Mais triste que a história do casal que revestiu a casa onde moram com conchas do mar - externa e internamente, além de uma gruta, teto, churrasqueira, armário e fogão - é um jornal do porte do Diário Catarinense - do maior e mais poderoso grupo de comunicação que abrange os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul através de emissoras de TV e Rádio, jornais e portal de internet - noticiar esse crime ambiental como algo interessante, para se "apreciar" e que já rende "negócios" para o desavisado e irresponsável casal.

Podemos imaginar que a atitude do casal seja relacionado ao fato de ignorarem o estrago ambiental, mas um jornalismo responsável, ético e competente jamais poderia noticiar algo assim sem comentar o viés ecológico e muito menos a questão legal, já que essa aberração configura-se crime previsto no Código Ambiental.

Não é a primeira vez que a RBS dá uma escorregada dessa. Em agosto de 2007 a RBS TV (retransmissora da Rede Globo) mostrou uma reportagem no Jornal do Almoço dizendo que animais silvestres que correm perigo de extinção como as Lontras e Iraras poderiam ser "animais de estimação"... VEJA MAIS AQUI!

Agora repetem a dose. Confiram abaixo a matéria publicada com destaque na última página do Diário Catarinense do último sábado, dia 31 de janeiro de 2009:


O casal Pedro Heleodoro de Augusto, 56 anos, e Marileia de Augusto, 53 anos


A casa das conchas

Já imaginou viver dentro de uma concha? A ideia, que, inicialmente, pode parecer absurda, não está tão longe de se tornar real para o casal Pedro Heleodoro de Augusto, 56 anos, e Marileia de Augusto, 53 anos.

Na residência onde vivem, na Praia do Campeche, no Sul da Ilha, paredes e móveis, dentro e fora da casa, estão ganhando formas arredondadas e tons brancos das conchinhas do mar.

A gruta religiosa foi o primeiro local a ganhar o adorno na casa dos Augusto. Nem mesmo o teto, a churrasqueira, o armário da cozinha e o fogão escaparam do trabalho de colagem. Tudo está sendo revestido pelos invólucros de calcário, que, além de enfeitar, proporcionam um ambiente fresquinho.

Mas o trabalho está longe de terminar. Devido a problemas de saúde que atingiram a coluna, Pedro fez uma pausa na decoração marítima que, durante dois anos, foi cuidadosamente realizada por ele e a mulher.

A ideia, explica o casal, surgiu da falta de dinheiro para investimentos na casa. As conchas foram todas retiradas das praias do Campeche e Morro das Pedras, também no Sul da Ilha. De bicicleta, Pedro se deslocava para os balneários, onde enchia sacos de 50 quilos durante duas horas de exercícios, abaixando e levantando para recolher os presentes do mar.

Nas paredes internas da casa e na fachada estão espalhados desenhos de mandalas feitos de diferentes tipos de conchas. Detalhes que começaram a ser trabalhados há cinco anos. Pedro não sabe dizer quantas conchas foram utilizadas, mas promete revelá-las assim que terminar sua obra de arte.

O casal informa que muitos curiosos passam na frente da casa e batem à sua porta para apreciar o trabalho mais de perto ou até para fazer encomendas. Somente a churrasqueira tem três pedidos de encomendas.

Todos são bem recebidos pelos proprietários da casa de conchas que, brincando, disseram já ter pensado em cobrar ingressos das visitas.

Todas as perguntas dos apreciadores são respondidas, com exceção de uma. O casal não conta o segredo da mistura com a cola responsável por fixar as conchas nas paredes e móveis. Isso porque faz questão de ter uma casa exclusiva, sem cópias.

Fonte: DC/NANDA GOBBI - nanda.gobbi@diario.com.br

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

REPRESA PODE TER MATADO 80 MIL PESSOAS

Em tempos de insanidades governamentais e febres desenvolmentistas que querem produzir Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) em qualquer local que possua volume de água e queda, a notícia abaixo é para fazer pensar, em especial nos projetos previstos para a bacia do rio Cubatão do Sul, em Santa Catarina, o Vale das Águas Termais.

Represa pode ter causado tremor de 2008 na China

Peso da água em reservatório seria o gatilho do terremoto, que matou 80 mil

Governo chinês afirma que desastre foi natural; no passado, grupos de pesquisa já relataram vários sismos deflagrados por barragens



Imagem de satélite que mostra a represa de Zipingpu, na China - GeoEye Satellite Image

DA REPORTAGEM LOCAL

O devastador terremoto de maio passado em Sichuan, na China, que matou aproximadamente 80 mil pessoas, pode ter sido causado por uma obra humana. Mais precisamente pela construção da represa de Zipingpu, na Província afetada.
O debate entre cientistas e governantes chineses vem desde dezembro, mas correu o mundo na última semana após reportagem publicada pela revista científica "Science".
Fan Xiao, engenheiro-chefe do Serviço de Mineração e Geologia de Sichuan, defende que as 315 milhões de toneladas de água que foram represadas interferem na atividade sísmica da região, que já é grande.

A represa, de 156 metros de altura, está localizada a 550 metros da falha geológica que causou o fenômeno. O epicentro do terremoto estava a 5,5 quilômetros da construção.

"Não estou dizendo que o terremoto não teria ocorrido se não fosse a represa, mas a presença da pesada obra pode ter alterado o tamanho ou o tempo do terremoto, criando então um tremor muito mais violento", disse Fan. Para ele, dados sobre o problema estão sendo retidos pela Academia Chinesa de Ciências, que é do governo.

O pesquisador chinês é apenas uma das vozes que surgiram para relacionar o terremoto -além das mortes, 5 milhões de pessoas ficaram desabrigadas com o sismo de 7,9 graus na escala Richter- com a construção da represa. Mas ninguém ainda é capaz de afirmar se a real causa do tremor é a obra.

O governo chinês afirma que o terremoto em Sichuan é fruto de um inevitável desastre natural. A construção das grandes barragens, com o objetivo de aumentar a geração de energia e diminuir as inundações em várias áreas do país, continuará a ser patrocinada.

"É ridículo dizer que o terremoto tenha sido causado pela represa", disse o geofísico Lei Xinglin, do Departamento de Administração de Terremotos do governo da China. "Nós precisamos de pesquisas mais cuidadosas sobre esse tópico em vez de pularmos direto para as conclusões", disse Xinglin.

Não é a primeira vez que uma represa pode ter funcionado como o gatilho para um evento sísmico. Geólogos registram pelo menos uma dúzia de terremotos que teriam sido causados pela construção de represas. O maior desses eventos ocorreu em 1967 na Índia.

O peso da água da represa de Koyna gerou um terremoto de 6,3 graus de magnitude. Na época, 200 pessoas morreram. Todos os outros sismos tiveram entre 3 e 6 graus na escala Richter. O do ano passado na China, portanto, seria o maior.

Cunha gigante

Uma das explicações técnicas para a relação entre represa e terremoto é que a água retida pela parede na barragem funciona como uma enorme e pesada cunha. Ao entrar na falha geológica, a água empurraria as paredes da fratura, fazendo com que ocorresse a liberação de energia.

O ponto mais crucial para que o gatilho seja disparado é quando a água desce rapidamente, depois de o reservatório atingir seu ponto máximo.
Em Sichuan, as águas começaram a subir em dezembro de 2004. Em dois anos, o nível do reservatório já estava em 120 metros de altura.

Uma semana antes do fatídico 12 maio de 2008, a represa foi esvaziada por seus operadores "muito mais rápido do que todas as outras vezes", diz Fan.
Apesar de o governo chinês continuar irredutível, e de outros cientistas espalhados pelo mundo pedirem mais pesquisas, Fan diz estar convencido do problema. Ele afirma que vai continuar reclamando. Principalmente em relação a outras duas represas que serão construídas na região.

Fonte: Folha de São Paulo - Com Associated Press

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

VII EDITAL DO PROGRAMA DE INCENTIVO ÀS RPPN DA MATA ATLÂNTICA



PROGRAMA DE INCENTIVO ÀS RPPNS DA MATA ATLÂNTICA ABRE INSCRIÇÃO PARA VII EDITAL DE PROJETOS, PRIMEIRO A ENGLOBAR TODA A MATA ATLÂNTICA

Com recursos de Funbio/KfW, TNC e Bradesco Cartões, iniciativa destina R$ 500 mil para criação e gestão de reservas particulares

Acesse aqui a íntegra do edital


O Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) da Mata Atlântica, coordenado pelas ONGs Conservação Internacional, Fundação SOS Mata Atlântica e The Nature Conservancy (TNC), está com inscrições abertas para seu VII Edital de projetos, pela primeira vez englobando toda a Mata Atlântica. Um total de R$ 500 mil, compostos com recursos do Bradesco Cartões, da TNC e da parceria inédita com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e o banco alemão KfW, será destinado para criação individual, em conjunto ou para projetos de elaboração e implementação de Planos de Manejo. As propostas devem ser encaminhadas por correio até o dia 16 de fevereiro. Desde o primeiro edital, o programa já beneficiou 172 projetos, num total de 260 RPPNs em processo de criação que protegem mais de 16 mil hectares em áreas de remanescente chave para a conservação da Mata Atlântica. O número total de RPPNs na Mata Atlântica é de 565.

O lançamento do Edital vem acompanhado de algumas novidades. Pela primeira vez, apoiará os proprietários de terras em todo o bioma Mata Atlântica: 3.276 municípios e 1.300.000 km2. “Esse edital vai representar uma boa oportunidade para regiões que nunca foram beneficiadas pelo Programa, agregando novos proprietários à causa da conservação privada. Vamos poder mapear o interesse dos proprietários de outras regiões, além dos corredores de biodiversidade já contemplados nos editais anteriores”. É o que espera Érika Guimarães, coordenadora do Programa, o qual tem contribuído para aumentar em quase 50% o número de RPPNs no bioma, mostrando, por um lado, o interesse de proprietários de terra em conservação e, por outro, o grande potencial dessa categoria de Unidade de Conservação para o fortalecimento de políticas de proteção da Mata Atlântica.

Parte da verba que será destinada aos projetos, de R$ 500 mil, é oriunda de uma doação feita no final de 2008, pelo Ministério do Meio Ambiente alemão, através do banco KfW, para o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) no valor de € 2 milhões (cerca de R$ 6,5 milhões) a serem destinados a projetos de conservação da Mata Atlântica. “Esses são os primeiros recursos disponibilizados pelo Fundo de Conservação da Mata Atlântica - Funbio/KfW, e destinam-se a uma série de ações de conservação no bioma, como apoio ao combate de incêndios florestais em unidades de conservação federais.”, destaca Pedro Leitão, secretário geral do Funbio. “Esta parceria traz um novo e importante fôlego para o Programa, aumentando a escala e possibilitando valorizar a iniciativa dos proprietários que encaram o desafio da conservação. Esperamos que mais e mais empresas e órgãos de financiamento venham participar desta rede.”, comenta Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da SOS Mata Atlântica.

Os projetos selecionados receberão até R$ 8 mil para criação individual, até R$ 25 mil para criação em conjunto e para elaboração e implementação de planos de manejo (categoria que pelo segundo ano é incluída no Programa).

Histórico:

Desde o seu início, o Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica focou os corredores de biodiversidade – Corredor da Serra do Mar, Central da Mata Atlântica, do Nordeste e Ecorregião Florestas com Araucária - como alvo inicial de investimentos. Eles são uma estratégia de conservação utilizada para a proteção da biodiversidade em diferentes escalas, mas com enfoque regional, buscando o manejo integrado da rede de unidades de conservação, contribuindo para manter ou incrementar a conectividade da paisagem. As estimativas indicam que, se adequadamente manejados, esses corredores podem, coletivamente, proteger 75% das espécies ameaçadas da Mata Atlântica.

As RPPNs são importantes para proteger o entorno de unidades públicas como parques e reservas biológicas, reduzindo a pressão externa e contribuindo para a conservação de inúmeras espécies ameaçadas de extinção da Mata Atlântica como o mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) e o papagaio-chauá (Amazona rhodocoryta), entre outras. Dessa maneira, é fundamental a participação dos proprietários de terra na proteção do nosso patrimônio natural.

Pensando nisso, foi lançado em 2003 o Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica, com recursos do CEPF (Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos) e do Bradesco Cartões, para apoiar projetos de criação e gestão de RPPNs nos Corredores da Serra do Mar e Corredor Central da Mata Atlântica. Os projetos são apoiados por meio de editais lançados periodicamente e esta foi a primeira linha de financiamento no Brasil a atuar diretamente em projetos de proprietários de reservas (pessoa física), com o mínimo de burocracia.

Em 2006, a parceria foi estendida à The Nature Conservancy (TNC) e passou a contar também com patrocínio do Bradesco Capitalização, o que permitiu que o Programa ampliasse sua área de atuação para o Corredor do Nordeste e a Ecorregião Floresta com Araucária, além do lançamento de uma nova linha de financiamento de projetos por meio de Demanda Espontânea.

SERVIÇO:

As propostas e os documentos necessários para análise devem ser encaminhados impreterivelmente até 16 de fevereiro de 2009 (data de postagem no correio) para:

Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica
Aos cuidados de Erika Guimarães
Rua Manoel da Nóbrega, 456
04001-001 – São Paulo - SP

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

BELA INICIATIVA!

De fogão a roupinhas de bebê, Um grupo de paulistanos usa a internet para doar e receber objetos em uma rede que supre necessidades, mas também diminui o desperdício e o consumismo.



Rosângela Braga, 36, com a filha recém-nascida, Marina, com 17 dias - Beatriz Toledo/Folha Imagem


TROCA-TROCA VIRTUAL
por Ocimara Balmant

Marina Braga Gentile nasceu há 17 dias no Hospital Metropolitano, na Pompéia. Para enfrentar o inverno paulistano, a menina, de 50 cm e 4 kg, saiu da maternidade vestida com casaquinho e sapatinhos de lã. O modelito, novinho em folha, foi presente de desconhecido, via internet. E, atenção, não foi caridade!

A mãe de Marina, a psicóloga Rosângela Braga, 36, participa da Freecycle (www.freecycle.org), rede que reúne internautas doadores e receptores de tudo o que se imagina. Pode ser livro, gato, equipamento odontológico e até piano. "Arrumei todas as roupinhas e vi que faltavam peças de lã. Não pensei duas vezes. Postei o pedido no site e umas dez pessoas se propuseram", conta a psicóloga, que, pela primeira vez, é receptora. Desde que soube da iniciativa, há cerca de um ano, Rosângela já doou computador, disquetes, sapatos e livros. "Vi que um americano doou até a casa. Quis participar também e comecei pelo que estava sobrando no meu apartamento. Agora, chegou a minha vez de pedir. Recebi mais do que esperava e muito rapidamente", relata.

No mundo todo, a Freecycle reúne cinco milhões de pessoas em mais de 80 países. Mas a idéia do que se chama "economia da doação" surgiu despretensiosa, em 2003, no Arizona, EUA. Deron Beal, o fundador, trabalhava para um grupo ambientalista que buscava manter bens utilizáveis fora de aterros sanitários. Um dia, a instituição quis doar materiais de escritório de que não precisava mais, e Beal teve dificuldade em encontrar, com rapidez, alguém que precisasse.

Foi quando percebeu que, se pudesse postar a oferta em uma lista de e-mail, economizaria tempo. Nascia a organização que, hoje, recebe 30 mil novos membros a cada semana. O esquema de funcionamento é simples: o usuário entra no site e se cadastra no grupo da cidade em que mora, para facilitar a troca de informações e a entrega dos objetos. Depois, é só postar os pedidos e doações.

No Brasil, a rede ainda é pequena. Além do grupo de São Paulo, o maior, com 650 membros e pouco mais de dois anos de existência, há apenas outros sete no país. O antropólogo Guilherme Falleiros, 31, é um dos moderadores da lista paulistana. Assim que descobriu o grupo americano, entrou em contato com os organizadores e recebeu permissão para abrir uma "filial" na capital paulista, a primeira do Brasil. "Me interessei porque a Freecycle possibilita uma solidariedade que não se baseia na caridade, que pressupõe uma desigualdade. Aqui não: doadores e recebedores se confundem, se alternam. E sem que haja troca", diz.

Há um mês, Guilherme saiu de sua casa em Santo André e foi buscar um gatinho que estava sendo doado na Vila Prudente, na zona leste. Foi sua primeira participação. A atividade do moderador se resume a aprovar ou não as mensagens que são enviadas para a lista. Só são censuradas ofertas que citam valores ou que propõem troca. Fora isso, não há registro formal dos itens que são doados ou aceitos e nenhuma barreira à participação de qualquer pessoa.

Sem explicações

Foi exatamente essa "falta de questionamento" que motivou Rosângela. Ela diz que, assim que pediu as roupinhas para o seu bebê, as únicas perguntas que recebeu, também por e-mail, foram quanto ao sexo da criança e a época do nascimento, além dos votos de "boa sorte no parto". "Ninguém me perguntou por que eu queria os casaquinhos, como é minha vida ou com o que trabalho", conta.

Quem participa diz que as indagações são mesmo dispensáveis, já que a idéia não é fazer caridade. "O que faço é por ideologia, pela proposta do não-desperdício. Isso é o que importa", diz o advogado André Graça, 30, membro há seis meses. Há três semanas, ele doou uma lavadora de alta pressão. Assim que postou a oferta, oito pessoas se manifestaram. O receptor foi um morador de Osasco, que André nem chegou a conhecer. "Agendamos a data, e ele veio buscar. Eu não estava. Foi a diarista que entregou." É o segundo objeto que o advogado doa. O primeiro foi um armário.

O designer Maurício de Sousa, 32, também participa pela segunda vez. Mas ele ainda não doou nada. Só recebeu. Assim que se cadastrou, há um mês, ele viu que alguém oferecia um hub (equipamento de informática). Respondeu rapidamente o e-mail, saiu de sua casa em São Bernardo do Campo e foi até Pinheiros buscar a peça. Na última semana, o site possibilitou que Maurício realizasse o antigo sonho de montar um curso de fotografia. Ele pediu equipamentos fotográficos antigos ou com defeitos, coisa que, com a era digital, muita gente deixou de usar. Duas pessoas responderam à solicitação, e o designer já conseguiu angariar quatro câmeras e um tripé.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

VAI "NEVAR" EM PINDA!

Vista do Vale do Paraíba a partir de São José dos Alpes, na Serra da Mantiqueira e avistando do outro lado a Serra do Mar. (foto Panoramio).

A notícia por si só já me chamou a atenção, já que dizia na chamada que cidade do interior de São Paulo vai ter pista de esqui na neve.

Quando fui ler, a surpresa: Pinda, minha terra natal era a tal cidade! E mais ainda, próximo ao pico do Itapeva, quinta elevação mais alta do país e local que frequentei muito na adolescência, quando acampava com amigos em São José dos Alpes, em um local que considerava meio mágico, pelo silêncio, pelo contato com a natureza, com a proximidade do céu em noites estreladas que jamais esquecerei e com direito a uma vista deslumbrante do Vale do Paraíba. E do alto da Serra da Mantiqueira avistava a Serra do Mar com as cidades do Vale acompanhando o traçado preguiçoso do rio Paraíba do Sul.

Agora fico pensando como pode haver naquele local um estacionamento para quatro mil vagas e 20 mil metros quadrados de "prédios", como diz a matéria abaixo.
Com o perdão do trocadilho, mas tomara não seja "uma fria" para a natureza.
Fica a torcida por um empreendimento que respeite verdadeiramente o meio ambiente, com todos os cuidados com a Mata Atlântica e com um lugar tão especial e inspirador.



Pista de esqui no exterior serve de inspiração para o empreendimento em Pindamonhangaba (Foto: Divulgação)

Interior de SP terá estação de esqui com neve artificial

Serão usadas 5 máquinas capazes de produzir toneladas de gelo por dia.
Previsão é que empreendimento comece a funcionar em maio de 2009.


Patrícia Araújo
Do G1, em São Paulo


Neve no Brasil já é algo improvável de se pensar. Mas idealizar no nosso clima tropical uma pista de esqui no gelo ao ar livre seria tema para piada se a empreitada não estivesse se tornando realidade no interior de São Paulo.

Com um investimento inicial de R$ 41 milhões, uma empresa brasileira pretende inaugurar até maio de 2009 em Pindamonhangaba, a 156 km da capital paulista, a primeira pista de esqui na neve permanente do país. O terreno de 3 milhões de metros quadrados, na proximidade do Pico de Itapeva, foi comprado em março deste ano.

Os planos são de erguer nesse espaço um estacionamento com 100 mil metros quadrados de área e capacidade para 4 mil vagas; 20 mil metros quadrados de prédios, entre restaurantes, lojas de conveniência e áreas de apoio (com ambulatórios, camarotes, lojas de aluguel de equipamentos); e 40 mil metros quadrados de neve divididos em três pistas para esquiadores nos níveis iniciante, intermediário e avançado.

Embora a maior parte das construções ainda não tenha começado devido à falta de parte da documentação referente à liberação ambiental, as pistas de esqui já começaram a ser feitas. As cinco máquinas que irão transformar água em neve e forrar a área já estão prontas. Elas usam a tecnologia existente fora do país, mas adaptada para as necessidades locais.

“É importante dizer que 100% da água utilizada é reaproveitada”, disse André Mayer Pflug, diretor a SkiClub, empresa responsável pelo empreendimento. Ele conta que o aparelho funciona reutilizando a neve que derrete. Ela é recapturada, passa por filtragem e tratamento e volta a ser transformada me neve. A perda estimada é de apenas 3% com evaporação. Cada uma das cinco máquinas produz 300 toneladas de neve por dia. Para encher todas as pistas, é necessária uma semana de produção do equipamento.

O local fica a sete minutos de Capivari e a 35 metros da divisa com Campos do Jordão. “A idéia (para a estação) surgiu por um estudo de mercado feito em Campos do Jordão. Os turistas que freqüentam a cidade só têm o que fazer à noite, mas durante o dia ficam ociosos”, fala Pflug.

Vagas de emprego

Mesmo sem a maior parte das obras terem começado, a empresa já deu início à seleção de pessoal para trabalhar na futura estação de esqui. A estimativa, segundo a prefeitura é de que cerca de mil pessoas sejam contratadas, em 40 diferentes cargos. Dos tradicionais serviços administrativos até os postos de operador de niveladora para neve e professor de esqui. Só para auxiliar de esquiadores são 200 vagas.

“Inicialmente estão previstos mil empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos. E a perspectiva é de que as agências de turismo e os hotéis da região devam gerar mais mil empregos indiretos nessas atividades, que não pertencem ao empreendimento”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pindamonhangaba, Álvaro Staut.

Segundo o secretário, o cadastro para a seleção dos candidatos já está sendo feito no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT). A partir de janeiro, será feita a seleção para entrevista e, em seguida, o treinamento. A empresa irá contratar ainda jovens de acordo com o programa “Primeiro Emprego” e pessoas da terceira idade, que vão trabalhar na área de turismo receptivo dentro da estação.

domingo, 16 de novembro de 2008

PAC DA DESTRUIÇÃO


Pelo menos 680 hectares de Mata Atlântica em Ilhéus, Bahia, vão desaparecer por obra do PAC.



Obra do PAC tropeça na mata atlântica


EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo, em Ilhéus (BA)


O chamado desenvolvimento sustentável aceita tudo. Um emblema da fragilidade desse conceito está escancarado no sul da Bahia, onde a mata atlântica, em estado bruto ou em regeneração, ainda resiste. Com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), da iniciativa privada e de seus cofres, o governo da Bahia projeta a instalação de um complexo logístico de 1,7 mil hectares entre Ilhéus e Itacaré. A construção do porto, da ferrovia (de 1.500 km) e do novo aeroporto está orçada em R$ 6,5 bilhões.

A obra não sai sem que pelo menos 680 hectares de mata atlântica desapareçam. Para o governo baiano, a obra é inevitável "para desenvolver a região sul da Bahia, que já foi uma das mais importantes do Brasil na época do auge do cacau", afirma Antônio Celso Pereira, superintendente de Comércio e Serviços da Secretaria de Comércio, Indústria e Mineração da Bahia. "Isso não significa que o governador Jaques Wagner vai rasgar as leis ambientais".

Do outro lado da linha do desenvolvimento sustentável, ambientalistas e a Associação de Turismo de Ilhéus estão contra o projeto. Os primeiros, por causa da mata atlântica. A segunda instituição não quer um porto em seu horizonte porque onde existem navios de carga chegando e saindo não há espaço para resorts e campos de golfe -outra "benfeitoria" que não convive bem com a mata. Os hoteleiros entraram na Justiça com uma ação contra o Estado, ainda não julgada.

A âncora do megaempreendimento --o porto, quando totalmente pronto, será o segundo maior da região Norte-Nordeste--, é a empresa Bahia Mineração, que é brasileira, mas tem capital indiano e também do Cazaquistão, da gigante ENRC. Segundo Amaury Pekelman, gerente de Comunicação e Desenvolvimento Sustentável da empresa, o novo porto não terá um impacto significativo sobre as praias do norte de Ilhéus. Ele explica que quem passar pela estrada que liga Ilhéus a Itacaré, por exemplo, "nem vai ver nada".

A área de estocagem do minério, de 80 hectares aproximadamente, ficará longe da estrada e da praia. Uma esteira de sete metros de altura atravessará a região preservada, a estrada e toda a praia para chegar ao litoral. Os navios, um de cada vez, afirma Pekelman, vão ficar a 2,5 quilômetros da costa. O minério será transportado por toda a região em pó. A capacidade para embarque --as primeiras cargas, pelo cronograma, devem sair no segundo semestre de 2011-- é de 70 mil toneladas por dia.

Não no meu quintal

"Esse projeto é um contra-senso", afirma José Adolfo de Almeida, professor da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), que na quarta-feira organizou um evento para discutir a obra. "Mesmo aqui na região existem outra áreas já degradadas que podem receber o porto", afirma Almeida, baseado em estudos feitos na própria instituição de ensino. Outros trabalhos da UESC mostram que a região diretamente afetada pelo projeto Porto Sul tem 40% de mata em estado avançado de regeneração.

Há mais de cinco anos, o empresário alemão Thilo Scheuermann, 48, decidiu investir em Ilhéus. Seu pequeno hotel, de 16 chalés, está parado. Segundo ele, um investimento de R$ 15 milhões está ameaçado. "Todos acreditamos no governo, que disse que o turismo seria prioritário na região." Outros cinco projetos turísticos, bem maiores do que o de Thilo, estariam engatilhados para o local.

* O repórter EDUARDO GERAQUE viajou a convite da ONG Instituto Floresta Viva

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

DEPUTADO ACUSADO DE CRIME EM RPPN

Deu na Folha de S. Paulo:

Temer é alvo de investigação no STF por crime ambiental

Deputado é suspeito de ter depredado área de reserva ecológica; ele nega acusações

Relatórios acusam ainda o congressista de recorrer a grileiros para aumentar suas posses; PF o convocará para prestar depoimento

De Alan Gripp:

Nome mais forte hoje para a sucessão da Presidência da Câmara, o deputado e presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga suposto crime ambiental e contém denúncias de que o parlamentar incorporou ao seu patrimônio terras fruto de grilagem.

Além disso, documentos da Agência Rural do Estado de Goiás acusam o deputado de tentar regularizar a propriedade com declarações falsas. As terras ficam em Alto Paraíso (GO), santuário ecológico.

Formalmente, o parlamentar é investigado no STF pela suspeita de ter depredado área de reserva ambiental ao construir uma estrada de acesso à sua propriedade, desmatando área protegida pelo Ibama. Mas há na investigação relatórios e testemunhos que o acusam de recorrer a grileiros e a servidores do governo de Goiás -mais tarde punidos- para obter títulos de propriedade e para tentar aumentar, sem sucesso, o tamanho de suas posses.

O deputado nega. Diz que as obras na estrada que corta a Reserva Particular de Proteção Natural (RPPN) Campo Grande são de responsabilidade da Prefeitura de Alto Paraíso. Alega ainda que o aumento da área adquirida por ele teve respaldo em medições técnicas legais.

Entre 2002 e 2003, Temer desistiu das terras. Depois da abertura de investigação pelo Ministério Público de Goiás, ele retirou a ação de usucapião, em que brigava para legalizar 2.500 hectares, e doou para a prefeitura a fazenda que já havia conseguido regularizar -esta com 452 hectares.

Apesar disso, o Ministério Público Federal entendeu que Temer pode ser responsabilizado caso sejam comprovadas as denúncias e enviou o caso ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Assinante da Folha leia mais em Temer é alvo de investigação no STF por crime ambiental

FONTE: Blog do Noblat