terça-feira, 6 de agosto de 2013

AMBIENTALISTAS AMEAÇADOS EM SC

Caçador agride ambientalistas com arma de fogo
 
Silvia Marcuzzo
Caçador saindo de traz do palmiteiro com a arma apontada para Wigold. Foto: Wigold B. Schaffer.

“O que acontece, quando no meio da mata, por detrás dos arbustos, não é um bicho que aparece, mas sim um caçador camuflado e armado, que vem em sua direção com um rifle com mira telescópica apontado diretamente pra você? Pode acontecer um tiro de raspão na mão, por conta do reflexo de defesa da pessoa, mas pode acontecer o pior, que é o que via de regra acaba acontecendo, quando o alvo é um animal”.

Wigold B. Schaffer e Miriam Prochnow, Conselheiros da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), formam vítimas de agressão e ficaram reféns sob a mira de arma de fogo e ameaça de morte por mais de 30 minutos, neste domingo dia 04/08/2013, quando faziam um passeio pela mata de sua propriedade em Atalanta/SC. Saíram de sua casa por volta das 10 horas em companhia de sua filha Gabriela para dar uma caminhada no meio da mata e fazer fotos da flora e fauna. A caminhada transcorria tranquíla e alegre com muitas fotos de pássaros até que, por volta das 10:30h em meio a uma pequena trilha foram atacados de surpresa por um caçador.

Wigold conta que o homem surgiu de repente, com vestimenta camuflada da cabeça aos pés, empunhando uma arma de fogo dessas que utilizam um “pente” de munição e mira telescópica. “Ao perceber algo se movimentando atrás de uns palmiteiros jovens inicialmente pensei tratar-se de algum animal e comecei a fotografar, segundos depois surge o caçador vindo em minha direção com o dedo no gatilho e a arma apontada diretamente para mim”, relata Wigold. Por instinto de fotógrafo, Wigold conta que continuou fotografando a aproximação do agressor e gritou por socorro, já que sua esposa Miriam e sua filha Gabriela vinham uns 50 metros atrás. “O agressor não parou, veio direto em minha direção com a arma apontada, até quase encostar o cano em meu rosto, aí ele tentou arrancar a câmera fotográfica de minhas mãos, nesse momento, num gesto de desespero e reflexo segurei o cano da arma e o desviei do meu corpo, foi quando ele puxou o gatilho e atirou, o tiro passou muito perto do meu peito” conta Wigold.

Após o disparo, Wigold conta que continuou segurando o cano da arma com as duas mãos enquanto o caçador tentava novamente virar o cano e apontar em sua direção, como não obteve êxito passou a agredir violentamente a vítima com chutes, coronhadas e até com a própria máquina fotográfica, que se partiu quando o agressor a bateu na cabeça da vítima.

As agressões foram interrompidas alguns minutos mais tarde com a chegada de Miriam, que estava um pouco atrás. “Ao ouvir o grito de socorro do Wigold e em seguida o disparo da arma, imediatamente pedi que a minha filha Gabriela corresse até em casa e chamasse a polícia, relatou Miriam. Ela também relata que ao chegar perto do local viu o Wigold deitado no chão e o homem batendo nele com a coronha da arma: “Enquanto me aproximava fui tirando fotos para registrar a agressão e ao mesmo tempo reconheci o agressor e o chamei pelo nome”. Ao perceber a aproximação da Miriam e ver que ela também estava registrando o que acontecia, o agressor parou de espancar o Wigold e passou agredir a Miriam na tentativa de também lhe tirar a câmera fotográfica.

Os 2 ambientalistas ficaram ainda por mais de 20 minutos sob a mira da arma do caçador, que sob ameaça queria lhes tirar as câmeras fotográficas. A situação só parou quando Miriam anunciou que a polícia já deveria estar chegando pois a Gabriela saíra em busca de socorro logo após o disparo da arma. Pouco depois, o homem se afastou caminhando de costas, sempre com a arma apontada em direção ao casal, até se embrenhar na mata.

Os ambientalistas Wigold e Miriam, nascidos na região do Alto Vale do Itajaí, tem destacada atuação em defesa da Mata Atlântica. O casal voltou para Atalanta depois de 14 anos trabalhando em Brasília. Wigold trabalhou por mais de 13 anos no Ministério do Meio Ambiente e Miriam fortaleceu a atuação da Apremavi em colegiados de âmbito nacional, como a Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), onde foi Coordenadora Geral. Hoje é Secretária Executiva do Diálogo Florestal Brasileiro e conselheira do Diálogo Florestal Internacional. Os dois são fundadores da Apremavi, que completou 26 anos este ano.

A situação vivida pelos ambientalistas aponta na verdade para uma realidade ambiental grave no Alto Vale do Itajaí e outras regiões de Santa Catarina, que é a caça. A caça de animais nativos é proibida no Brasil, mas continua sendo praticada e com um agravante, ela está sendo praticada por jovens, com equipamentos cada vez mais sofisticados, que acabam não dando nenhuma chance de reação aos animais e também acabam provocando situações como a vivida no último domingo.

As vítimas já denunciaram as agressões junto às Polícias Civil, Militar e Ambiental, bem como ao Ministério Público Estadual e Federal. Nos próximos dias, a Apremavi, juntamente com outras instituições de Santa Catarina e do Brasil, estará deflagrando uma ampla campanha junto aos órgãos públicos para que estes realizem operações de fiscalização da caça, soltura de animais aprisionados e apreensão de armas na região.

 

terça-feira, 23 de abril de 2013

"DESCOBRINDO O PARAÍSO"

IHP e MMX lançam livro com coleção biológica e nova espécie de percevejo
 
 
 
Fonte: Assessoria de Imprensa IHP em 22 de Abril de 2013

 
A descoberta de uma nova espécie de percevejo, nunca antes cataloga pela ciência no planeta, é um dos destaques do livro Descobrindo o Paraíso - Aspectos Biológicos da Reserva Particular do Patrimônio Natural Engenheiro Eliezer Batista (RPPN-EEB), que será lançado pela parceria Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e MMX no dia 2 de maio, às 19h, na Casa Vasquez & Filhos, no Porto Geral, em Corumbá.
 
O percevejo descoberto na RPPN-EEB, na Serra do Amolar, a 180 km a noroeste de Corumbá, levou o nome de Rhyparoclopius aokiae, em homenagem a uma das pesquisadoras, a bióloga Camila Aoki. "Acreditando na máxima ‘Conhecer para Preservar', busca-se, através desse documento, aumentar o conhecimento biológico para o Pantanal Sul-mato-grossense e auxiliar nas estratégias da conservação da diversidade biológica", afirma, na apresentação, o fundador e conselheiro do IHP, Angelo Cipriano Rabelo.
 
O estudo detalhado da composição de invertebrados, segundo Rabelo, é uma das maiores contribuições da publicação para a ciência. Mais de 1100 espécies foram catalogadas, com a inclusão de 19 novos registros de espécies para Mato Grosso do Sul. Em fase de identificação estão inseridas 11 novas espécies. "O fato que chama a atenção nos dados que esse livro traz é que, para a maior parte dos grupos estudados, esta é a primeira listagem para a região", prossegue Rabelo. "A ciência de estudos técnicos e científicos para a área reforça a recomendação do Ministério do Meio Ambiente: a necessidade de inventários sobre fauna e flora", acrescenta.
 
O livro deve se tornar uma das sensações do mercado editorial após o seu lançamento e distribuição. Será importante nas pesquisas de especialistas, professores e alunos, e vai ampliar os horizontes da coleção biológica com fins didáticos. "Este livro mostra os resultados de expedições de inventário biológico feitas à RPPN-EEB nas estações seca e chuvosa, quando foram estudados tanto a flora local como diversos grupos de invertebrados, sempre ofuscados pela fauna vertebrada carismática, mas de maneira alguma menos importantes", ressalta, no prefácio, o revisor técnico Fábio Olmos.
Trata-se de uma publicação realizada por meio da parceria, estabelecida desde 2008, entre o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e a empresa MMX para a gestão da RPPN Engenheiro Eliezer Batista, localizada na Serra do Amolar, uma das regiões de maior beleza cênica e biodiversidade dentro do bioma Pantanal. O livro traz na íntegra os resultados obtidos desde a primeira campanha, na estiagem de 2010.
 
Garantir o empenho nos esforços de conservação desta valiosa região do Pantanal é o compromisso da parceria IHP - MMX e que pode ser traduzido nas páginas dessa valiosa obra. "Mais de um sábio, ao longo da História, notou que uma das medidas da civilização de uma sociedade ou de indivíduos é a forma como trata a Natureza. A iniciativa de MMX caminha no rumo certo", conclui Fábio Olmos.



quarta-feira, 10 de abril de 2013

GOVERNO VENENO

 
Governo libera uso de agrotóxicos sem registro no País
 
AE - Agência Estado
Mesmo com dois pareceres técnicos contrários, o Ministério da Agricultura (Mapa) liberou o uso de um agrotóxico não registrado no País para combater emergencialmente uma praga nas lavouras de algodão e soja. A decisão, publicada anteontem no Diário Oficial, permite o uso de defensivos agrícolas que tenham em sua composição o benzoato de emamectina, substância que, por ser considerada tóxica para o sistema neurológico, teve seu registro negado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2007.
 
O uso de agrotóxicos no País é norteado por pareceres do Comitê Técnico de Assessoramento para Agrotóxicos (CTA), formado por membros dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e da Anvisa - os dois últimos são encarregados de avaliar os riscos do uso de defensivo para o meio ambiente e a saúde pública.Em março, diante da praga da lagarta quarentenária A-1 Helicoverpa armigera em lavouras do oeste da Bahia, representantes do Mapa solicitaram uma reunião extraordinária do CTA para a liberação do benzoato. A proposta era que o produto fosse usado emergencialmente até a safra 2014/2015.
 
No primeiro encontro, representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e da Anvisa foram contrários à liberação. De acordo com a ata da reunião, a maioria do grupo afirmava que os documentos apresentados não permitiam tal liberação.Diante da negativa, o Mapa solicitou uma nova reunião, realizada cinco dias depois. Nesse encontro, tanto a Anvisa quanto o Ibama mantiveram sua posição: não havia elementos suficientes para que a liberação fosse realizada.
 
 
O Mapa, no entanto, decidiu liberar o uso do benzoato. De acordo com o ministério, não é a primeira vez que a Agricultura adota uma decisão unilateral. Em 1986, de acordo com a assessoria, também houve liberação de agrotóxicos para combater uma praga de gafanhoto.
 
Além do benzoato, outros cinco tiveram seu uso liberado para o combate à praga: dois produtos biológicos (Vírus VPN HzSNPV e Bacillus Thuringiensis) e três químicos (Clorantraniliprole, Clorfenapyr e Indoxacarbe). A diferença, no entanto, é que os cinco já têm registro no País para uso em outras lavouras.O uso do benzoato será regulamentado numa instrução normativa, seguindo as observações dos Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde.


NOVA RPPN EM IPATINGA

 
IEF certifica fazenda como RPPN
 
Área de 51,38 hectares de mata atlântica está situada na APA Ipanema
 
IPATINGA – O município passou a contar com mais uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). A área de 51,38 hectares de mata atlântica preservada integra os 98 hectares de extensão da Fazenda Córrego da Bucaína, localizada na Área de Preservação Ambiental (APA) Ipanema, de propriedade do aposentado Isaías Nogueira Coelho, 66. O fazendeiro formalizou o pedido de criação da RPPN na agência Ipatinga do Instituto Estadual de Florestas (IEF), na sexta-feira (05).
 
Para alcançar o reconhecimento da referida área como RPPN, o proprietário da unidade de conservação ambiental contou com o apoio da prefeitura, da Emater-MG, da Associação de Proteção Ambiental da Bacia do Ribeirão Ipanema e do Conselho de Defesa do Meio Ambiente (Codema), cujos representantes presenciaram a entrega da documentação no IEF.
 
“Não vou cuidar dessa área para sempre. Com a criação da reserva, quero assegurar a proteção e a preservação da mata atlântica no local. O meu desejo é que esta área esteja ao alcance das futuras gerações do nosso município”, declarou Isaias Coelho sobre a área de RPPN, da qual 20% foi reconhecida como Reserva Legal há três anos.
 
Para o coordenador da Agência Avançada de Meio Ambiente de Ipatinga do IEF, Pedro Paulo da Silva Neto, a criação da RPPN é um compromisso do proprietário com o órgão governamental para proteção da área. “Uma vez reconhecida pelo IEF, a área é vistoriada periodicamente. Dessa forma, temos condições de proteger o local, conter incêndios, conservar os mananciais e desenvolver ações de proteção ambiental”, esclareceu.
 
Segundo o proprietário da Fazenda Córrego da Bucaína, são inúmeras as riquezas naturais presentes na área de preservação. Na lista estão três nascentes e espécies animais, como mono-carvoeiro, ou muriqui-do-sul; macaco-prego, sagui e esquilo, além de espécies vegetais, como o cedro, a braúna, o vinhático, a sapucaia e diversas árvores frutíferas.
 
A Fazenda Córrego da Bucaína é a segunda Reserva Particular de Patrimônio Natural de Ipatinga. Até a criação da RPPN do aposentado Isaías Coelho, o município possuía apenas a Fazenda do Zaca, localizada no Tribuna, reserva de mais de 17 hectares que integra o Centro de Educação Ambiental Portal da Mata Atlântica.
 
Ao reconhecer uma área de preservação ambiental como RPPN, todos os direitos e o domínio sobre a área são mantidos e o proprietário pode realizar pesquisas científicas e atividades de educação ambiental, além de abrir o local para visitação pública. Os principais benefícios ao se criar uma RPPN são: isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); redução do risco de invasões e ocupações irregulares; apoio dos órgãos governamentais para a fiscalização e proteção da área.
 
Fonte: Diário do Aço


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE


Novas evidências de que a sustentabilidade rende dividendos
 
POR REGINA SCHARF # EM DE LÁ PRA CÁ
 
Foto de Emre Ayaroglu/Flickr
 
A MIT Sloan Management Review (revista da escola de administraçãodo Massachusetts Institute of Technology), em conjunto com os consultores do Boston Consulting Group, entrevistou mais de 4 mil executivos e gerentes de dezenas de países para mapear como as empresas, os governos e as ONGs estão enfrentando os desafios da sustentabilidade. Essa é a quarta pesquisa anual nessa linha produzida pela revista, que publica separadamente as conclusões por setor da economia. Esta semana saíram as conclusões quanto ao comportamento do setor privado, baseadas num universo de 2.600 entrevistas.
 
O estudo “The Innovation Bottom Line” (algo como Resultado Financeiro da Inovação) indica algumas tendências bastante positivas, como o acúmulo de evidências de que os investimentos em sustentabilidade compensam financeiramente. O número de entrevistados que já testemunharam isso subiu 23% desde o ano passado, chegando a 37% do universo pesquisado. O relatório, divulgado esta semana, também apontou que metade das empresas mudou seus modelos de negócios numa reação a oportunidades socioambientais, 20% a mais do que no ano passado. Essas mudanças ocorreram, principalmente, nos produtos e serviços oferecidos, nos processos da cadeia de valor e na estrutura organizacional.
 
Aqui, uma coletânea das conclusões (mas vale a pena ler o documento que tem bastante conteúdo):
 
* 46% dos entrevistados acham difícil quantificar as vantagens intangíveis adquiridas graças à sustentabilidade; 37% dizem que ela entra em conflito com outras prioridades; 40% dizem que a preocupação com a sustentabilidade aumenta os custos operacionais, o que acaba reduzindo os lucros, e 33% apontam um aumento dos custos administrativos;

* No universo das empresas que auferiram lucros graças aos investimentos em sustentabilidade, 61% discutem o tema no alto escalão; nesse mesmo universo, 60% dos entrevistados dizem que há um business case da sustentabilidade, ou seja, é um investimento que faz sentido;
 
* Foi solicitado que os empresários identificassem os três principais desafios de caráter geral que suas empresas enfrentarão nos próximos dois anos. Eles indicaram a necessidade de inovar para se diferenciar dos concorrentes (48%), reduzir custos e ganhar eficiência (46%), aumentar os ingressos (45%), atrair, manter e motivar profissionais de talento (39%);
 
* Eles também identificaram os três principais desafios ligados à sustentabilidade: escassez de energia ou volatilidade dos seus preços (78%), resíduos e sua gestão (52%), escassez ou acesso limitado às matérias primas (51%), mudanças climáticas (37%), escassez de água (28%), segurança alimentar (14%);

* Que fatores socioambientais levaram as empresas a modificar seu modelo de negócios? Os entrevistados podiam indicar quantos fatores quisessem: a preferência de consumidores por produtos e serviços sustentáveis (52%), a escassez de recursos naturais (39%), o crescente engajamento dos seus competidores com a sustentabilidade (38%), a pressão política ou legal (37%) etc.
 
* Os pesquisadores também perguntaram quais temas a empresa associa à sustentabilidade. Os entrevistados podiam indicar todos os itens sugeridos: sustentabilidade econômica da organização (63%), questões ambientais (62%), questões ligadas à responsabilidade social empresarial (61%), ênfase numa perspectiva de longo prazo (53%), saúde e bem-estar dos funcionários (52%), saúde e bem-estar dos clientes (35%) e questões de segurança (35%).
 
 
 
 
Surpresa: empresas de países da África, do Oriente Médio e da Ásia estão muito mais propensas a mudar seu modelo de negócios em resposta aos benefícios associados à sustentabilidade que empreendimentos em países ricos. As latino-americanas estão no meio do caminho, próximas às européias.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MURIQUIS EM PERIGO

Deputados prometem impedir que a estrada cruze a RPPN

Ganhou corpo, durante a audiência pública promovida, na quarta-feira, 21, em Caratinga, pelas comissões de Transporte, Comunicação e Obras Públicas e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais,mobilização para evitar que a BR-474 invada a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdalla, obrigando o Departamento de Estradas e Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) a manter o projeto original, que estabelece a construção de um desvio, retirando a estrada da reserva.

Biólogo Marcelo Nery explanou sobre os impactos que serão causados pela construção da estrada

O deputado Adalclever Lopes (PMDB), autor do requerimento para a realização da audiência, foi enfático em manifestar total apoio à luta da Família Abdala e da comunidade ambientalista, para impedir o asfaltamento dos seis quilômetros da rodovia que margeia a RPPN. “Audiência pública é a primeira ação para evitar que isso ocorra, levando o fato e a discussão a público. Eu, como presidente da Comissão de Propostas e Obras, assim como meus colegas, não permitirei isso, em hipótese nenhuma. Lutarei com unhas e dentes para que não haja a degradação desse patrimônio”.

Para o engenheiro Nívio Pinto Lima, Coordenador Regional do DER, o uso da palavra “invasão” é muito forte, deixando claro que não existe decisão alguma de pavimentar a rodovia cortando a reserva. “O projeto de conclusão da pavimentação da rodovia está em estudo. É evidente que o DER não vai e nem pode impor nada. Tudo está sendo negociado, conversado com órgãos do Estado e com o pessoal da Preserve Muriqui, sendo avaliado, analisado e em momento algum se falou em imposição. Precisamos ter cuidado, até, em fazer uma variante, para que ela também não seja danosa ao meio ambiente no futuro”.

Ele ressaltou, porém, que a alternativa, também, traria impactos, com grande volume de terraplanagem e cortes de barrancos de até 13 metros de altura, em terreno instável, sujeito a queda de barreiras. A variante teria entre sete e oito quilômetros. “Não há como fazer uma obra do porte de uma rodovia sem causar impacto. Mas estamos abertos a sugestões”.

O biólogo Marcello Nery, da Sociedade Preserve-Muriqui, administradora da RPPN, explicou que a estrada, mesmo de terra, já tem impacto sobre os animais, uma vez que ela separa a mata do rio Manhuaçu, usado por muitas espécies. “Dezenas e dezenas de animais são atropelados". Evaristo Hoste de Moura, participante da audiência, chamou a atenção para o fato de que a passagem da estrada pela reserva facilitaria o tráfico de animais silvestres.

Nos dias de hoje já se pode encontrar animais atropelados nas margens da estrada que corta a RPPN. Com asfalto, tendência é o aumento destes acidentes

O deputado Adalclever Lopes destacou a importância da RPPN. “A reserva não pertence só ao município de Caratinga, mas ao planeta! E precisa ser preservada! Por isso, a Comissão vai monitorar os projetos da obra. Não se pode permitir, em hipótese alguma, qualquer intervenção humana naquela região ou que seja feita a estrada dentro da reserva”.

Ele procurou tranqüilizar a comunidade ambientalista. “Há, apenas, uma sugestão, um estudo de viabilidade e não uma proposta clara e imediata de intervenção na reserva. Isso tira nosso temor sobre qualquer invasão. Nós, das Comissões de Transportes e de Meio Ambiente, não permitiremos qualquer tipo de intervenção que venha a causar danos à mata. Vamos nos mobilizar e impedi-la!”.

Além de Adalclever e do vice-presidente da Comissão de Transporte, Celinho do Sinttrocel (PCdoB), o deputado Gilberto Abramo (PMDB), também, manifestou seu apoio ao movimento, afirmando que acompanhará o desenrolar do caso. “Vocês têm mais dois aliados, além do deputado Adalclever”.

O proprietário da Fazenda Montes Claros, Roberto Abdala, elogiou a contribuição de Adalclever Lopes. “É compensador ver essa batalha e o deputado Adalclever abraçando a causa. Inclusive, gostaria de salientar que nesta semana estamos recebendo a visita de uma equipe de TV do exterior na reserva, para produção de um documentário sobre os Muriquis, que será exibido para o mundo inteiro durante a Copa do Mundo”.

Ele manifestou a posição de sua família. “Eu e meus irmãos somos contra a passagem dessa estrada dentro da reserva. Quando meu pai comprou a fazenda eram oito muriquis, hoje são 352. Nós, da Família Abdala, queremos continuar a preservar tal espécie, como meu pai fez ao longo de sua vida. Quando ouço algo sobre passar uma estrada dentro da mata, acho isso uma brincadeira. Por sinal, uma brincadeira de muito mau gosto”.

Fonte: A SEMANA AGORA

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

RPPN: SANTUÁRIO PROFANADO

RPPN: santuário em PERIGO!

Dnit ameaça asfaltar estrada dentro da Mata do Feliciano


Sapucaia existente na RPPN há mais de 500 anos

Os animais silvestres que habitam a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) “Feliciano Miguel Abdala”, entre os quais o Muriqui do Norte, o maior primata das Américas, tido como símbolo da luta pela preservação da Mata Atlântica, seu habitat, estão sob o risco de serem exterminados e a ameaça vem do próprio Governo Federal. Isto, porque o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) pretende manter a BR 474 cortando parte da reserva, abandonando a proposta contida no projeto inicial, desviando a rodovia da área preservada.

Recentemente, o jornal A Semana publicou matéria mostrando vários animais que foram atropelados por veículos que cruzam a RPPN, conhecida pelos mais antigos como “Mata do Feliciano”, cobrando a retomada da obra de asfaltamento da BR 474, interrompida há, aproximadamente, dois anos, devido à falta de aprovação do projeto de desvio, pelos órgãos ambientais.

A proposta de se fazer o desvio da estrada tem por objetivo, exatamente, evitar que veículos que trafegam pela BR 474, no percurso entre Caratinga e Ipanema, continuem atropelando os animais silvestres existentes na reserva, colocando um ponto final no problema.

Porém, segundo Roberto Abdala, filho de Feliciano Miguel Abdala e um dos proprietários da Fazenda Montes Claros, onde está localizada a RPPN, o Dnit está determinado a abandonar a proposta do desvio, em decorrência dos gastos que a obra do desvio acarretará, optando por manter a rodovia passando pela reserva.

Muriqui: espécie em extinção e protegida na reserva

De acordo com o ambientalista Antônio Bragança, diretor da reserva, além do atropelamento e morte de muitos animais, que tentam atravessar a estrada, para tomar água no Rio Manhuaçu, haverá outros malefícios, uma vez que criará a possibilidade de que um cigarro, jogado de um veículo, durante o período de estiagem, poder provocar um incêndio florestal de conseqüências incalculáveis, gerando danos irreparáveis. “O governo deveria, cada vez mais, incentivar a preservação ambiental e, não, devastar as riquezas naturais”.
Novela antiga
O asfaltamento da BR 474 é uma reivindicação de mais de 60 anos, usada pelos políticos como palanque eleitoral, alvo de incontáveis promessas, até hoje, não cumpridas. Como se fosse uma novela, a pavimentação da rodovia, no decorrer dos anos, vem sendo feita em etapas.

Em 2009, pelo esforço do deputado federal Alexandre Silveira, ex-diretor geral do Dnit, a obra foi retomada, sendo anunciada, pelo próprio parlamentar, a liberação de recursos suficientes para completar o asfaltamento da rodovia. Porém, o serviço foi interrompido quando restava, exatamente, o trecho onde seria feito o desvio que, agora, o Dnit não quer mais fazer.

Bastante revoltado, Roberto Abdala informa ter recebido visitas dos técnicos do Dnit. Inicialmente, eles solicitaram os documentos referentes à RPPN, numa outra visita, anunciaram que o órgão estaria abandonando o projeto do desvio e se preparando para asfaltar a parte da estrada que cruza a reserva.

A Luta pela Mata

A empreitada da Família Abdala, pela preservação das matas existentes na Fazenda Montes Claros é muito antiga. Ela foi iniciada na metade da década de 40, quando Miguel Feliciano Abdala comprou a propriedade com a exigência do antigo dono, de que ele lutasse para evitar que os macacos – muriquis – existentes nas matas da propriedade fossem mortos.

Deste então, até 2001, quando faleceu, aos 92 anos de idade, Feliciano Miguel Abdala manteve-se fiel à promessa, transformando-se em guardião do santuário ecológico existente em suas terras.

Neste verdadeiro sacerdócio, Seu Feliciano, como era conhecido, chegou às últimas conseqüências. Para expulsar os caçadores que ousavam invadir sua propriedade, em busca dos macacos, várias vezes chegou a trocar tiros e, antes de falecer, costumava mostrar com justo orgulho as marcas das balas dos caçadores, que atingiam as paredes de sua casa, como se fossem troféus.

Ao morrer, numa forma de perpetuar a luta e o amor de seu pai em defesa do Muriqui e, consequentemente, do remanescente de Mata Atlântica existente na Fazenda Montes Claros, seus filhos decidiram transformar os 957 hectares de mata, área correspondente a 72% de todas as terras da Fazenda Montes Claros, em uma RPPN, batizando-a com o nome do pai.


São comuns os atropelamentos de animais da reserva

A luta continua

Roberto Abdala, da mesma maneira que seu pai faria, está disposto a aplicar todos os esforços e recursos cabíveis para impedir que o Dnit asfalte o trecho da estrada que corta a reserva. “Mantendo-me fiel ao desejo de papai, caso seja necessário, irei à Justiça para impedir que o Dnit, atualmente, envolvido em escândalos e denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público, cometa mais este crime. Temos conversado com proprietários vizinhos, que comungam da mesma ideia, no sentido de mobilizar a população, os órgãos ambientais, estadual e federal, assim como as organizações conservacionistas nacionais e internacionais, para evitar esta tragédia”.

Ao ser informado da situação, o deputado estadual Adalclever Lopes (PMDB), presidente da Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, informou que estará encaminhando pedido para que aconteça uma audiência pública em Caratinga, juntamente com a Comissão de Meio Ambiente de Desenvolvimento Sustentável, presidida pelo deputado Célio Moreira (PSDB), à qual estará encaminhando um requerimento neste sentido, solicitando urgência na realização desta audiência. “Temos que unir esforços em defesa desta reserva. É inconcebível que, um órgão que disponibiliza um orçamento do tamanho do gerenciado pelo Dnit, se disponha a cometer um crime de tal proporção, sob a inconsistente alegação de economia de gastos. Nós vamos lutar contra esta proposta! Podem ter certeza disso!”.

Fonte: A Semana Agora

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

BOM SENSO!

Proprietário de RPPN luta para que prevaleça o bom senso em Alagoas.

Limpel quer implantar central de tratamento de lixo em reserva florestal

Durante reunião do CEPRAM empresário chamou de "promíscuas" as relações entre poder público, órgãos ambientais e empresários da área de resíduos sólidos

Da Redação EXTRA ALAGOAS

Dono de uma RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural - que é a única existente no município do Pilar e uma das mais antigas do Estado de Alagoas, o empresário Francisco José Quintella Cavalcanti chegou quase às lágrimas, na última terça-feira, ao fazer um apelo emocionado ao colegiado do Conselho Estadual de Proteção Ambiental -CEPRAM - para mudar a localização pretendida para implantação da Central de Tratamento de Resíduos (CTR) que a Limpel, de Alagoas, aliada a investidores de outros estados, pretende implantar no Tabuleiro do Pilar para tratamento de efluentes industriais, lixo tóxico e hospitalar e incine-ração de resíduos perigosos.

Quintella, que mantém centenas de hectares de florestas preservadas há mais de 30 anos e presta relevantes serviços ambientais sem receber um centavo sequer do dinheiro público para suas ações, fez questão de esclarecer que qualquer projeto de tratamento de lixo é bem vindo a Alagoas, mas não na vizinhança de uma RPPN e nas bordas de um tabuleiro com dezenas de nascentes e áreas de proteção permanente que servem de refúgio para os últimos corredores de mata atlântica da região e garantem a qualidade da água dos principais mananciais hídricos daquela área.


Área vizinha à reserva ambiental do Pilar ameaçada pela centra de tratamento de lixo da Limpel


Em seguida denunciou a falta de transparência do processo que levou a Câmara de Vereadores do Pilar a mudar, "da noite para o dia" o Código do Meio Ambiente do município, que vedava expressamente, em seu artigo 137, o "depósito e a destinação final de resíduos de todas as classes produzidos fora de seu território". A mudança teve por objetivo a aprovação de uma lei feita sob medida para viabilizar uma Área de Especial Inte-resse Sanitário e Ambiental capaz de abrigar a Central de Tratamento do Lixo exatamente no terreno vizinho à reserva florestal, por razões estritas de aumento do lucro dos empreendedores, uma vez que o citado terreno, por razões judiciais, teria sido vendido, numa operação imobiliária triangular, por uma verdadeira bagatela.

Além de criticar a Câmara de Vereadores do Pilar por "ter lavado as mãos" diante de apelo que fez para mudar o local de implantação da Central de Tratamento, Quintella chamou de "promíscuas" as relações entre o poder público, os órgãos ambientais e os empresários ao revelar que um agente do Instituto do Meio Ambiente, cujo nome não chegou a declinar, teria feito gestões junto ao presidente da Câmara de Vereadores do Pilar para mudar o Código de Meio Ambiente do município e aprovar a Área de Interesse Sanitário no terreno vizinho à reserva florestal.

Quintella fez questão de acrescentar que a RPPN Fazenda São Pedro não se presta apenas ao papel de ativo paisagístico e repositório de biodiversidade. Segundo ele, todos os anos um número incontável de professores e escolares, além de visitantes, praticam o turismo ecológico na reserva que já estaria incluída nos planos dos órgãos do turismo para integrar o chamado "Roteiro Histórico da Cana de Açúcar," configurando uma série de atividades que, naquela localização específica, seriam incompatíveis com a Central de Tratamento de Lixo Industrial e Hospitalar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

AMIGO DO HOMEM, INIMIGO DA NATUREZA

Cachorro doméstico flagrado por armadilha fotográfica dentro da Unidade de Conservação.

O cachorro não é o melhor amigo da natureza


Em vários ecossistemas, eles vêm causando danos consideráveis
por Julie Young

Muito já se estudou sobre a ameaça dos gatos criados soltos, abandonados ou resultado de cruzamento com gatos selvagens e sem dono à natureza, mas o mesmo não foi feito em relação aos cães nessa mesma situação, apesar de eles serem um problema maior que os felinos em muitos locais.

A ideia surgiu de nosso trabalho na Mongólia com espécies em extinção em 2007. Eu e meu colega Joel Berger estávamos pesquisando o antílope saiga e conhecíamos os pesquisadores Rich Reading e Kirk Olsen porque eles trabalhavam com o argali e a gazela naquele país. Descobrimos que os cães da região estavam atacando todas as três espécies e analisamos seu impacto. Depois, por dois anos, reunimos 28 estudos em todo o mundo que relatam situação semelhante. Os cães estão onde o homem está — a única exceção talvez seja a Antártida: são 500 milhões de cachorros no mundo. Eles ameaçam outros animais de três formas. Em alguns casos, causam problemas simplesmente porque estão no mesmo local que os animais selvagens (por exemplo, quando alguém passeia com seu cachorro em uma floresta), afugentando animais. Outras vezes, eles transmitem doenças ou se tornam predadores. E desequilibram os ecossistemas.

Em Northland, na Nova Zelândia, por exemplo, dois estudos (feitos em 1988 e 1997) mostram que um único cão solto foi a causa de 70% das mortes de kiwis, pássaros típicos daquele lugar. No sudeste brasileiro, gatos e cachorros abandonados alteraram a cadeia alimentar ao começarem a comer pássaros, insetos e pequenos mamíferos, mostra um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, interior de São Pulo, publicado em 2007. Em alguns casos, os cães podem causar um impacto maior em número de mortes que os predadores naturais.



Essa disputa por território também foi observada em Brasília (DF), entre 2006 e 2009, no Parque Nacional conhecido como Água Mineral. O lobo-guará e o tamanduá gigante afastaram-se para áreas que estão ainda mais distantes da cidade por causa de cães abandonados que os ameaçavam. E, no Colorado, Estados Unidos, pequenos mamíferos, cervos e linces começaram a evitar trilhas em que pessoas passeavam com seus cachorros. Além disso, a população de cães de pradaria, esses sim, espécies que fazem parte daquele ecossistema, diminuiu.

Os cães podem se tornar ainda vetores de doenças, pois fazem a troca de parasitas entre humanos e animais selvagens. O vírus da cinomose canina, por exemplo, foi transmitido de cães domésticos para focas do Lago Baikal, na Rússia, resultando na diminuição delas, na década de 90.

Na Mongólia, campanhas públicas para donos de cachorros em Ikh Nart resultaram em apoio a programas para adestramento de cães a fim de reduzir o conflito com animais selvagens. E foram essenciais para diminuirmos as mortes causadas por eles. Vimos que os custos da prevenção compensam os gastos associados com os impactos, por exemplo, no caso da transmissão da raiva. O custo anual da vacina antirrábica na Ásia é de US$ 52 milhões. Enquanto isso, o custo de perdas de gado por causa de mordidas de cães raivosos é de US$ 10,3 bilhões e o tratamento de infecções em humanos fica entre US$ 179,8 milhões e US$ 251,7 milhões. Os custos serão provavelmente maiores ainda depois de medidos os impactos na vida selvagem e sobre outros animais domésticos. Assim como repovoar uma área de animais selvagens em extinção é muito mais difícil e caro que vacinar e fazer campanhas.

Aos donos de cachorros, sugerimos simplesmente mantê-los sob controle durante o passeio, além de bem alimentados e vacinados, e longe de áreas selvagens. E, se estiverem caminhando numa área de vida selvagem, vá com seu cão ao seu lado e impeça que ele persiga ou maltrate outros animais.

Julie K. Young é bióloga da Universidade de Utah e supervisiona a Estação de Pesquisa de Predadores do Centro Nacional de Pesquisa de Vida Selvagem do Depto. Americano de Agricultura

Fonte: Revista Galileu