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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE


Novas evidências de que a sustentabilidade rende dividendos
 
POR REGINA SCHARF # EM DE LÁ PRA CÁ
 
Foto de Emre Ayaroglu/Flickr
 
A MIT Sloan Management Review (revista da escola de administraçãodo Massachusetts Institute of Technology), em conjunto com os consultores do Boston Consulting Group, entrevistou mais de 4 mil executivos e gerentes de dezenas de países para mapear como as empresas, os governos e as ONGs estão enfrentando os desafios da sustentabilidade. Essa é a quarta pesquisa anual nessa linha produzida pela revista, que publica separadamente as conclusões por setor da economia. Esta semana saíram as conclusões quanto ao comportamento do setor privado, baseadas num universo de 2.600 entrevistas.
 
O estudo “The Innovation Bottom Line” (algo como Resultado Financeiro da Inovação) indica algumas tendências bastante positivas, como o acúmulo de evidências de que os investimentos em sustentabilidade compensam financeiramente. O número de entrevistados que já testemunharam isso subiu 23% desde o ano passado, chegando a 37% do universo pesquisado. O relatório, divulgado esta semana, também apontou que metade das empresas mudou seus modelos de negócios numa reação a oportunidades socioambientais, 20% a mais do que no ano passado. Essas mudanças ocorreram, principalmente, nos produtos e serviços oferecidos, nos processos da cadeia de valor e na estrutura organizacional.
 
Aqui, uma coletânea das conclusões (mas vale a pena ler o documento que tem bastante conteúdo):
 
* 46% dos entrevistados acham difícil quantificar as vantagens intangíveis adquiridas graças à sustentabilidade; 37% dizem que ela entra em conflito com outras prioridades; 40% dizem que a preocupação com a sustentabilidade aumenta os custos operacionais, o que acaba reduzindo os lucros, e 33% apontam um aumento dos custos administrativos;

* No universo das empresas que auferiram lucros graças aos investimentos em sustentabilidade, 61% discutem o tema no alto escalão; nesse mesmo universo, 60% dos entrevistados dizem que há um business case da sustentabilidade, ou seja, é um investimento que faz sentido;
 
* Foi solicitado que os empresários identificassem os três principais desafios de caráter geral que suas empresas enfrentarão nos próximos dois anos. Eles indicaram a necessidade de inovar para se diferenciar dos concorrentes (48%), reduzir custos e ganhar eficiência (46%), aumentar os ingressos (45%), atrair, manter e motivar profissionais de talento (39%);
 
* Eles também identificaram os três principais desafios ligados à sustentabilidade: escassez de energia ou volatilidade dos seus preços (78%), resíduos e sua gestão (52%), escassez ou acesso limitado às matérias primas (51%), mudanças climáticas (37%), escassez de água (28%), segurança alimentar (14%);

* Que fatores socioambientais levaram as empresas a modificar seu modelo de negócios? Os entrevistados podiam indicar quantos fatores quisessem: a preferência de consumidores por produtos e serviços sustentáveis (52%), a escassez de recursos naturais (39%), o crescente engajamento dos seus competidores com a sustentabilidade (38%), a pressão política ou legal (37%) etc.
 
* Os pesquisadores também perguntaram quais temas a empresa associa à sustentabilidade. Os entrevistados podiam indicar todos os itens sugeridos: sustentabilidade econômica da organização (63%), questões ambientais (62%), questões ligadas à responsabilidade social empresarial (61%), ênfase numa perspectiva de longo prazo (53%), saúde e bem-estar dos funcionários (52%), saúde e bem-estar dos clientes (35%) e questões de segurança (35%).
 
 
 
 
Surpresa: empresas de países da África, do Oriente Médio e da Ásia estão muito mais propensas a mudar seu modelo de negócios em resposta aos benefícios associados à sustentabilidade que empreendimentos em países ricos. As latino-americanas estão no meio do caminho, próximas às européias.



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MURIQUIS EM PERIGO

Deputados prometem impedir que a estrada cruze a RPPN

Ganhou corpo, durante a audiência pública promovida, na quarta-feira, 21, em Caratinga, pelas comissões de Transporte, Comunicação e Obras Públicas e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais,mobilização para evitar que a BR-474 invada a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdalla, obrigando o Departamento de Estradas e Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) a manter o projeto original, que estabelece a construção de um desvio, retirando a estrada da reserva.

Biólogo Marcelo Nery explanou sobre os impactos que serão causados pela construção da estrada

O deputado Adalclever Lopes (PMDB), autor do requerimento para a realização da audiência, foi enfático em manifestar total apoio à luta da Família Abdala e da comunidade ambientalista, para impedir o asfaltamento dos seis quilômetros da rodovia que margeia a RPPN. “Audiência pública é a primeira ação para evitar que isso ocorra, levando o fato e a discussão a público. Eu, como presidente da Comissão de Propostas e Obras, assim como meus colegas, não permitirei isso, em hipótese nenhuma. Lutarei com unhas e dentes para que não haja a degradação desse patrimônio”.

Para o engenheiro Nívio Pinto Lima, Coordenador Regional do DER, o uso da palavra “invasão” é muito forte, deixando claro que não existe decisão alguma de pavimentar a rodovia cortando a reserva. “O projeto de conclusão da pavimentação da rodovia está em estudo. É evidente que o DER não vai e nem pode impor nada. Tudo está sendo negociado, conversado com órgãos do Estado e com o pessoal da Preserve Muriqui, sendo avaliado, analisado e em momento algum se falou em imposição. Precisamos ter cuidado, até, em fazer uma variante, para que ela também não seja danosa ao meio ambiente no futuro”.

Ele ressaltou, porém, que a alternativa, também, traria impactos, com grande volume de terraplanagem e cortes de barrancos de até 13 metros de altura, em terreno instável, sujeito a queda de barreiras. A variante teria entre sete e oito quilômetros. “Não há como fazer uma obra do porte de uma rodovia sem causar impacto. Mas estamos abertos a sugestões”.

O biólogo Marcello Nery, da Sociedade Preserve-Muriqui, administradora da RPPN, explicou que a estrada, mesmo de terra, já tem impacto sobre os animais, uma vez que ela separa a mata do rio Manhuaçu, usado por muitas espécies. “Dezenas e dezenas de animais são atropelados". Evaristo Hoste de Moura, participante da audiência, chamou a atenção para o fato de que a passagem da estrada pela reserva facilitaria o tráfico de animais silvestres.

Nos dias de hoje já se pode encontrar animais atropelados nas margens da estrada que corta a RPPN. Com asfalto, tendência é o aumento destes acidentes

O deputado Adalclever Lopes destacou a importância da RPPN. “A reserva não pertence só ao município de Caratinga, mas ao planeta! E precisa ser preservada! Por isso, a Comissão vai monitorar os projetos da obra. Não se pode permitir, em hipótese alguma, qualquer intervenção humana naquela região ou que seja feita a estrada dentro da reserva”.

Ele procurou tranqüilizar a comunidade ambientalista. “Há, apenas, uma sugestão, um estudo de viabilidade e não uma proposta clara e imediata de intervenção na reserva. Isso tira nosso temor sobre qualquer invasão. Nós, das Comissões de Transportes e de Meio Ambiente, não permitiremos qualquer tipo de intervenção que venha a causar danos à mata. Vamos nos mobilizar e impedi-la!”.

Além de Adalclever e do vice-presidente da Comissão de Transporte, Celinho do Sinttrocel (PCdoB), o deputado Gilberto Abramo (PMDB), também, manifestou seu apoio ao movimento, afirmando que acompanhará o desenrolar do caso. “Vocês têm mais dois aliados, além do deputado Adalclever”.

O proprietário da Fazenda Montes Claros, Roberto Abdala, elogiou a contribuição de Adalclever Lopes. “É compensador ver essa batalha e o deputado Adalclever abraçando a causa. Inclusive, gostaria de salientar que nesta semana estamos recebendo a visita de uma equipe de TV do exterior na reserva, para produção de um documentário sobre os Muriquis, que será exibido para o mundo inteiro durante a Copa do Mundo”.

Ele manifestou a posição de sua família. “Eu e meus irmãos somos contra a passagem dessa estrada dentro da reserva. Quando meu pai comprou a fazenda eram oito muriquis, hoje são 352. Nós, da Família Abdala, queremos continuar a preservar tal espécie, como meu pai fez ao longo de sua vida. Quando ouço algo sobre passar uma estrada dentro da mata, acho isso uma brincadeira. Por sinal, uma brincadeira de muito mau gosto”.

Fonte: A SEMANA AGORA

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

RPPN: SANTUÁRIO PROFANADO

RPPN: santuário em PERIGO!

Dnit ameaça asfaltar estrada dentro da Mata do Feliciano


Sapucaia existente na RPPN há mais de 500 anos

Os animais silvestres que habitam a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) “Feliciano Miguel Abdala”, entre os quais o Muriqui do Norte, o maior primata das Américas, tido como símbolo da luta pela preservação da Mata Atlântica, seu habitat, estão sob o risco de serem exterminados e a ameaça vem do próprio Governo Federal. Isto, porque o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) pretende manter a BR 474 cortando parte da reserva, abandonando a proposta contida no projeto inicial, desviando a rodovia da área preservada.

Recentemente, o jornal A Semana publicou matéria mostrando vários animais que foram atropelados por veículos que cruzam a RPPN, conhecida pelos mais antigos como “Mata do Feliciano”, cobrando a retomada da obra de asfaltamento da BR 474, interrompida há, aproximadamente, dois anos, devido à falta de aprovação do projeto de desvio, pelos órgãos ambientais.

A proposta de se fazer o desvio da estrada tem por objetivo, exatamente, evitar que veículos que trafegam pela BR 474, no percurso entre Caratinga e Ipanema, continuem atropelando os animais silvestres existentes na reserva, colocando um ponto final no problema.

Porém, segundo Roberto Abdala, filho de Feliciano Miguel Abdala e um dos proprietários da Fazenda Montes Claros, onde está localizada a RPPN, o Dnit está determinado a abandonar a proposta do desvio, em decorrência dos gastos que a obra do desvio acarretará, optando por manter a rodovia passando pela reserva.

Muriqui: espécie em extinção e protegida na reserva

De acordo com o ambientalista Antônio Bragança, diretor da reserva, além do atropelamento e morte de muitos animais, que tentam atravessar a estrada, para tomar água no Rio Manhuaçu, haverá outros malefícios, uma vez que criará a possibilidade de que um cigarro, jogado de um veículo, durante o período de estiagem, poder provocar um incêndio florestal de conseqüências incalculáveis, gerando danos irreparáveis. “O governo deveria, cada vez mais, incentivar a preservação ambiental e, não, devastar as riquezas naturais”.
Novela antiga
O asfaltamento da BR 474 é uma reivindicação de mais de 60 anos, usada pelos políticos como palanque eleitoral, alvo de incontáveis promessas, até hoje, não cumpridas. Como se fosse uma novela, a pavimentação da rodovia, no decorrer dos anos, vem sendo feita em etapas.

Em 2009, pelo esforço do deputado federal Alexandre Silveira, ex-diretor geral do Dnit, a obra foi retomada, sendo anunciada, pelo próprio parlamentar, a liberação de recursos suficientes para completar o asfaltamento da rodovia. Porém, o serviço foi interrompido quando restava, exatamente, o trecho onde seria feito o desvio que, agora, o Dnit não quer mais fazer.

Bastante revoltado, Roberto Abdala informa ter recebido visitas dos técnicos do Dnit. Inicialmente, eles solicitaram os documentos referentes à RPPN, numa outra visita, anunciaram que o órgão estaria abandonando o projeto do desvio e se preparando para asfaltar a parte da estrada que cruza a reserva.

A Luta pela Mata

A empreitada da Família Abdala, pela preservação das matas existentes na Fazenda Montes Claros é muito antiga. Ela foi iniciada na metade da década de 40, quando Miguel Feliciano Abdala comprou a propriedade com a exigência do antigo dono, de que ele lutasse para evitar que os macacos – muriquis – existentes nas matas da propriedade fossem mortos.

Deste então, até 2001, quando faleceu, aos 92 anos de idade, Feliciano Miguel Abdala manteve-se fiel à promessa, transformando-se em guardião do santuário ecológico existente em suas terras.

Neste verdadeiro sacerdócio, Seu Feliciano, como era conhecido, chegou às últimas conseqüências. Para expulsar os caçadores que ousavam invadir sua propriedade, em busca dos macacos, várias vezes chegou a trocar tiros e, antes de falecer, costumava mostrar com justo orgulho as marcas das balas dos caçadores, que atingiam as paredes de sua casa, como se fossem troféus.

Ao morrer, numa forma de perpetuar a luta e o amor de seu pai em defesa do Muriqui e, consequentemente, do remanescente de Mata Atlântica existente na Fazenda Montes Claros, seus filhos decidiram transformar os 957 hectares de mata, área correspondente a 72% de todas as terras da Fazenda Montes Claros, em uma RPPN, batizando-a com o nome do pai.


São comuns os atropelamentos de animais da reserva

A luta continua

Roberto Abdala, da mesma maneira que seu pai faria, está disposto a aplicar todos os esforços e recursos cabíveis para impedir que o Dnit asfalte o trecho da estrada que corta a reserva. “Mantendo-me fiel ao desejo de papai, caso seja necessário, irei à Justiça para impedir que o Dnit, atualmente, envolvido em escândalos e denúncias de corrupção e desvio de dinheiro público, cometa mais este crime. Temos conversado com proprietários vizinhos, que comungam da mesma ideia, no sentido de mobilizar a população, os órgãos ambientais, estadual e federal, assim como as organizações conservacionistas nacionais e internacionais, para evitar esta tragédia”.

Ao ser informado da situação, o deputado estadual Adalclever Lopes (PMDB), presidente da Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, informou que estará encaminhando pedido para que aconteça uma audiência pública em Caratinga, juntamente com a Comissão de Meio Ambiente de Desenvolvimento Sustentável, presidida pelo deputado Célio Moreira (PSDB), à qual estará encaminhando um requerimento neste sentido, solicitando urgência na realização desta audiência. “Temos que unir esforços em defesa desta reserva. É inconcebível que, um órgão que disponibiliza um orçamento do tamanho do gerenciado pelo Dnit, se disponha a cometer um crime de tal proporção, sob a inconsistente alegação de economia de gastos. Nós vamos lutar contra esta proposta! Podem ter certeza disso!”.

Fonte: A Semana Agora

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

RPPN E O ICMS-ECOLÓGICO

Prefeitura de Casimiro realiza seminário sobre ICMS Ecológico

A Prefeitura de Casimiro de Abreu realiza nesta segunda-feira, 8, no Centro de Vivência da Reserva Biológica União/ICMBio, um seminário sobre Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e ICMS Ecológico. O evento acontece das 9h às 17h.

“O objetivo do seminário é promover o nivelamento de informações sobre o ICMS Ecológico e áreas protegidas”, disse a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Denise Rambaldi. Serão fomentadas idéias de criação de programas municipais de apoio a RPPN, visando o incremento do repasse do ICMS Ecológico na região da bacia do Rio São João e adjacências.

As chamadas RPPN são áreas de conservação ambiental em terras privadas. É criada pela vontade do proprietário, que assume o compromisso de conservar a natureza, garantindo que a área seja protegida para sempre.

São esperados representantes dos municípios Silva Jardim, Rio Bonito, Araruama, Cabo Frio, Cachoeiras de Macacu, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia, Macaé, Saquarema e Marica, além de representantes do Legislativo Municipal, da Emater-Rio, associações e sindicatos dos proprietários de RPPN da região e gestores públicos.


Fonte: Ascom PMCA

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ABOLICIONISMO DOS ANIMAIS

Aqui em casa já decidimos, depois do Kev não mais teremos animais de estimação.

Sociólogo defende fim da propriedade dos animais

por Guilherme Rosa

Os direitos dos animais estão sendo cada vez mais discutidos, e seus militantes defendem os mais diversos pontos de vista. O sociólogo Roger Yates é um defensor dos animais desde os anos 70 e recentemente se juntou ao Abolicionismo, uma das vertentes mais radicais do movimento. Eles defendem o fim de toda propriedade humana sobre os animais e o pacifismo como forma de luta. Ele explicou suas idéias numa entrevista à Galileu:

Você é um sociólogo. Como a sociologia pode nos ajudar a entender a questão dos animais?
A sociologia nos ajuda a entender como tratamos os animais porque ela olha a sociedade e pensa suas atitudes. Ela olha o modo como as pessoas se adaptam às regras e valores, o modo como somos levados a olhar de modo diferente os humanos e não-humanos. Nós ensinamos nossas crianças que é certo usar os animais, mas sem causar sofrimento desnecessário. A sociologia nos ajuda a entender o especismo: porque pensamos que somos mais importantes, porque valorizamos as vidas de formas diferentes.

Então a gente não é mais importante que os animais?
Precisamos ver o quanto racionalizamos nossa importância. Os não-humanos querem viver o tanto quanto a gente, é um mal matar um animal e há um senso de igualdade quando comparamos nossas vidas. Somos treinados socialmente a resistir a essa ideia e achá-la tola e sentimental.

A resposta então é o Abolicionismo?
O Abolicionismo está deslanchando, se tornando um movimento substancial nos EUA e na Europa. É uma idéia nova, que existe há uns cinco anos. È diferente dos movimentos dos anos 70, 80 e 90; uma versão radical dos movimentos pelo bem-estar animal e pela libertação dos animais. Por exemplo, defendemos o veganismo, não o vegetarianismo. É um movimento que foi inspirado pelas idéias de Gary Francione.

Quais deveriam ser os direitos dos animais?
Falamos simplesmente de um direito: o direito a não ser uma propriedade. Podemos destrinchá-lo em outros: o direito à integridade, a não sofrer, a ser deixado sozinho sem a interferência humana. Moralmente, devemos lembrar que não podemos ser seus donos. Quando vemos uma árvore, tendemos a pensar que ela é nossa. Isso vem da teologia, porque pensamos que o mundo é nosso, foi dado pra gente por Deus. O que penso é que existem outros seres que têm tanto direito à Terra quanto a gente.

Você disse que é vegan. Porque não um vegetariano?
Nós vemos muito criticamente o consumo de derivados de leite. Há tanto sofrimento numa fazendo de gado leiteiro quanto numa de gado para corte. Um vegetariano que come muitos laticínios esta causando mais mal do que alguém que come carne, mas poucos derivados de leite. Acho que isso tem muito a ver com pressão social e amigos. Se você se apresenta como vegetariano, não parece tanto um louco do que quando você é um vegan.

O que você pensa sobre os animais domésticos?
O problema com esses animais é que nós os geramos e selecionamos sua raça. Alguns animais de pedigree não podem fazer sexo, seus olhos caem, têm problemas horríveis de esqueleto por causa de seu formato. Nossa técnica de cruzamento de cães tem causado muitos problemas para eles: cachorros muito pequenos, muito grandes, cachorros que têm problemas de pele. Se você olhar para os animais de pedigree, verá uma situação de pesadelo.

E temos o direito de ser donos desses animais?
Acho que não. Muita gente pensa que nossa relação com os animais é simbiótica e que não há problema, mas a instituição de possuir um animal já é problemática. Eu sei que é uma das questões mais complicadas dos direitos dos animais, porque é um tanto radical. Eu não quero banir nada, quero uma mudança de consciência. É um tanto utópico, os direitos animais são baseados numa mudança cultural.

Devemos fazer o que então? Abandonar nossos cães e gatos?
É obvio que devemos cuidar dos que já existem, mas não deveríamos produzir mais. Você pode dizer que é uma questão de oferta e demanda. Quando a demanda diminuir, a oferta vai diminuir também. Porque a criação de animais virou um negócio, existem muitos criadores por aí.

Mas hoje em dia os cachorros só sobrevivem em convivência com humanos.
É por isso que eles deveriam diminuir aos poucos. É claro que alguns animais até podem existir livremente sem nossa interferência, mas esse não é o caso de Poodles e Chihuahas. Temos que pensar nesse problema que criamos, e o primeiro passo é mostrar para as pessoas que é um problema.

Qual seria a relação perfeita entre homem e animais?
Precisamos entender que temos responsabilidades com eles, e, obviamente, eles não têm responsabilidades conosco. Devemos respeitá-los como possuidores de direitos. No momento estamos fundando essa nova relação entre humanos e animais, somos pioneiros. Muitas pessoas se frustram com a demora das mudanças sócias. Eu, como sociólogo, entendo que a mudança é geracional. As pessoas têm que estar acostumadas às novas ideias antes de aceita-las. Meu trabalho é fazer essa fundação, para que os que vierem depois de mim façam seu trabalho.

Porque você foi preso nos anos 80?
Eu era assessor de imprensa da Animal Liberation Front, que se envolveu em uma situação ilegal [parte do grupo passou a sabotar lojas que negociavam peles de animais]. Eu não estava envolvido, mas houve um movimento das autoridades de atacar o pessoal da imprensa. Foi uma daquelas situações esquisitas onde aqueles que escreveram sobre situações ilegais pegaram mais tempo de cadeia do que aqueles que as praticaram. É o modo de os agentes lidarem com movimentos mais radicais, tentam silenciá-los. Foi um dos primeiros julgamentos sobre os direitos dos animais.

Você só luta pelos direitos dos animais?
Eu estive envolvido em movimentos tanto pelos direitos dos animais quanto pelos humanos. Sempre me envolvi em movimentos contra o tráfico de humanos e a escravidão moderna, isso é que mais me incomoda. Se as pessoas ainda desrespeitam os direitos dos outros homens, isso explica nossa incapacidade de respeitar os animais.

Fonte: Revista Galileu

quarta-feira, 28 de abril de 2010

OLIVIA MUNN PROTESTA BELA E SEM ROUPA

Foto: Divulgação, PETA

A bela Olivia Munn, considerada uma das mulheres mais sexy do mundo, empresta agora toda sua beleza por uma boa causa.
A atriz posou nua para protestar contra os maus tratos de bichos no circo.
No cartaz, que tem aval do Peta (ONG tem tem feito famosa ficarem sem a roupa para protestarem contra maus traros aos animais), a atriz está sentada, sem roupa, com elefantes ao fundo e a inscrição: "boicote o circo".
E a propósito, Olivia Munn está linda em Homem de Ferro 2!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CACHOEIRAS VIVAS


Cachoeira da RPPN rio das Lontras, uma das mais de duzentas em Santa Catarina que podem secar para a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas.


Grupo protesta contra barragens

Entidade que reúne 67 cidades paulistas quer que o governo suspenda incentivos a hidrelétricas em rios com potencial turístico.

José Maria Tomazela, SOROCABA

A Associação das Prefeituras de Cidades Estâncias do Estado de São Paulo (Aprecesp) quer proibir a instalação de hidrelétricas em rios com potencial turístico nas 67 cidades que a integram. Em documento apresentado na Câmara dos Deputados, o presidente da Aprecesp e prefeito de Itu, Herculano Passos Júnior (PV), argumentou que os empreendimentos causam impactos negativos ao meio ambiente e ao turismo. Ele quer que o governo federal suspenda os incentivos a essas obras.

Passos anunciou a adesão da entidade ao Projeto Cachoeiras Vivas, iniciado por municípios do leste paulista e do sul de Minas contra a instalação de hidrelétricas em rios com corredeiras. O projeto foi criado em oposição ao plano de um grupo de empresas goianas de construir cinco pequenas usinas em rios que passam por Socorro, cidade paulista, e Tocos do Moji, Bueno Brandão e Munhoz, em Minas.

O presidente da Aprecesp havia se posicionado contra a construção de duas hidrelétricas no Rio Tietê, entre Itu e Cabreúva. Disse que a oposição, encampada pela cidade de Salto pode ter levado os empreendedores a desistirem.

O Cachoeiras Vivas, criado em agosto, colheu mais de 12 mil adesões. As pequenas centrais hidrelétricas recebem incentivos do governo federal por provocarem baixo impacto no meio ambiente, mas preocupam os ambientalistas, pois estão livres de licenciamento ambiental mais detalhado e das audiências públicas com as comunidades locais. De acordo com o prefeito de Itu, o movimento não é contra a geração de energia, mas a população não quer ver o fim de suas belezas naturais. O Cachoeiras Vivas inventariou pelo menos 15 atrativos turísticos, entre eles uma dezena de saltos e cascatas, que seriam afetados pelas usinas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

MATANÇA DE FOCAS


Ativista da ONG Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta, na sigla em inglês), protesta em frente à Embaixada do Canadá em Bancoc, na Tailândia. A manifestação pede o fim da tradicional caça à foca no Canadá - Chaiwat Subprasom/Reuters


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

PROTESTO PETA

Com os corpos cobertos por pintura imitando pele de cobra, ativistas do Peta protestam em Londres, Reino Unido, contra o uso de pele de animais exóticos em artigos como bolsas e sapatos. Cartaz que uma das manifestantes carrega diz "NÃO MATE PELA NOSSA PELE" Andy Rain/Efe



sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ICMS ECOLÓGICO

O então Deputado Francisco de Assis Nunes foi o autor do projeto que foi apresentado há mais de uma década na Assembçéia Legislativa de SC e até hoje nada foi decidido.

O ICMS-ecológico é uma forma muito inteligente e eficaz do estado atuar no incentivo da proteção dos recursos naturais e dos serviços ambientais que são gerados pela áreas preservadas.
Por inúmeras vezes estivemos presentes em mobilizações em prol da criação da Lei do ICMS-Ecológico em Santa Catarina. Participamos inclusive de uma Comissão Supra-partidária e de infindáveis reuniões com políticos nas mais diversas cidades.
Infelizmente Santa Catarina continua na contra-mão da história e é um dos poucos estados da nação que ainda não possui esse excelente mecanismo que aumenta e garante a qualidade de vida e segurança da atual e principalmente das futuras gerações.

Agora a ONG TNC lança um site que promete uma esperança extra de que um dia SC possa acordar para a necessidade de ações sustentáveis e de envergadura digna das grandes civilizações.


TNC lança site ICMS Ecológico
Ferramenta está gerando resultados para a conservação do meio ambiente no Brasil

A The Nature Conservancy (TNC), organização internacional de conservação ambiental, com apoio da Conservação Internacional e SOS Mata Atlântica e recursos da Tinker Foundation, lança, dia 23 de setembro, em Curitiba, o
site ICMS Ecológico, maior portal do Brasil sobre o assunto, que visa divulgar a situação do ICMS Ecológico em cada estado brasileiro, iniciando pelos estados da Mata Atlântica, as normas, os valores repassados aos municípios, casos de sucesso na gestão municipal desses recursos, artigos, estatísticas, links de interesse e o melhor conteúdo da internet sobre o tema. “O ICMS Ecológico é um instrumento de estímulo à conservação da biodiversidade quando compensa o município pelas áreas protegidas existentes e também quando incentiva a criação de outras áreas protegidas, já que considera em seus cálculos o percentual que os municípios possuem de unidades de conservação em seus territórios”, explica Flávio Ojidos, consultor jurídico do projeto.

De acordo com a Constituição Federal, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) arrecadado pelos estados deve ser dividido na proporção de 75% para o estado e 25% aos municípios que o geraram. Para a distribuição desses 25%, o estado pode legislar criando critérios próprios até o montante de ¼ deste valor, a exemplo de educação, saúde, meio ambiente, patrimônio histórico, entre outros. Os critérios ambientais inseridos nesse ¼ são chamados de ICMS Ecológico, ou ICMS Verde.

O mecanismo, regulamentado por leis estaduais e municipais, é uma oportunidade para o estado influenciar o processo de desenvolvimento sustentável dos municípios, premiando a boa gestão ambiental e a prática de atividades ambientalmente desejáveis, como gestão de resíduos sólidos e tratamento de esgoto. “O ICMS-E estimula principalmente municípios a encarar suas áreas verdes como ativos, valorizando-as não só ambientalmente, mas economicamente. É um novo modelo, o reflexo de uma nova era, quando se passa a enxergar a natureza como uma vantagem ao desenvolvimento e não como um entrave ao crescimento econômico”, comenta Giovana Baggio, coordenadora de Conservação em Terras Privadas da TNC.

Desenvolvido pioneiramente no estado do Paraná em 1991, o ICMS-Ecológico é realidade hoje em mais de uma dezena de estados brasileiros, como o Acre, Amapá, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo e Tocantins, e envolve o repasse de aproximadamente R$ 600 milhões/ano para os municípios que abrigam Unidades de Conservação ou se beneficiam por meio de outros critérios ambientais. O ICMS Ecológico é um incentivo econômico para municípios brasileiros que abrigam UCs, e um potencial incentivo para proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN)s e comunidades tradicionais, além de ser um instrumento de gestão ambiental que estimula a aproximação entre gestores municipais e órgãos ambientais estaduais e federais.

“Para que haja o engajamento da sociedade civil para tornar as políticas públicas reais e manter o seu constante aperfeiçoamento, a Conservação Internacional, a Fundação SOS Mata Atlântica e a TNC, por meio da sua parceira para a conservação de UCs públicas e privadas na Mata Atlântica, elegeu o ICMS Ecológico com um de seus temas prioritários de trabalho. Ficamos felizes com o lançamento deste site, que pretende trazer para o público e para os gestores públicos e outros atores interessados, informação sempre atualizada sobre o ICMS-Ecológico nos diversos estados da Federação e o reflexo destes repasses nos municípios e nas Unidades de Conservação públicas e privadas”, finaliza Fernando Veiga, coordenador de Serviços Ambientais da TNC.

Sobre a TNC

The Nature Conservancy (TNC), criada em 1951, é uma organização mundial líder na conservação dos recursos naturais ecologicamente importantes para a natureza e as pessoas. Atuante em mais de 34 países, tem como missão conservar plantas, animais e ecossistemas que formam a diversidade de vida na Terra, protegendo os recursos naturais que eles necessitam para sobreviver. No Brasil desde 1988, desenvolve iniciativas nos principais biomas brasileiros (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga) com o objetivo de compatibilizar o desenvolvimento econômico e social com a conservação dos ecossistemas naturais. Conheça
AQUI! os projetos da TNC.

Fernando (RPPN Rio das Lontras) e o advogado Roberto Stähelin na Audiência Pública na Assembléia Legislativa de Santa Catarina em 2006. Há mais de 13 anos SC "estuda" a criação da Lei.

Fotos: Arquivo pessoal/RPPN Rio das Lontras



terça-feira, 22 de setembro de 2009

MINA POLUIDORA

Serra do Rio Pinheiro, em Anitápolis. Se o Governo de Santa Catarina realmente aprovar essa mineradora em plena Mata Atlântica, a vida de diversas cidades da região vai mudar drasticamente - e para pior, muito pior!

Quem leu a entrevista "Fatos e Fosfatos" que fizemos com o ambientalista Jorge Albuquerque lembra do assunto. O Estadão aborda a polêmica sobre a Usina de Fosfato em Anitápolis e toca na ferida.

Mina vira alvo de protestos em SC

Empreendimento para explorar fosfato obteve aval de órgão de licenciamento, mas moradores são contra atividade

Eduardo Nunomura

Há sete anos, Fernando Monteiro decidiu ir embora para sua Pasárgada, e assim batizou o sítio que escolheu, no meio da mata atlântica de Santa Catarina. Hoje, ele está triste, triste de não ter jeito, com a história da construção de uma mineradora perto de seu quintal. Mas, ao contrário do que imaginava o poeta Manuel Bandeira, Monteiro não é amigo do rei nem da Indústria de Fosfatos Catarinense (IFC), dona do projeto Anitápolis. A IFC quer explorar a maior jazida ainda intacta no País em uma área de 300 hectares, cercada de florestas, rios e pequenas comunidades. Monteiro e outros tantos lutam para barrar a obra.

Duas multinacionais, a Bunge e a Yara Brasil Fertilizantes, formaram a IFC e compraram 1,8 mil hectares na pacata cidade de Anitápolis. Há décadas sabe-se que naquele chão há o minério vital para o agronegócio. É o fósforo, identificado pela letra química P. Com o nitrogênio (N) e o potássio (K), forma o fertilizante NPK. O Brasil importa a maior parte do fósforo, porque é mais barato. Explorar jazidas como a de Anitápolis reduziria a dependência externa.

Monteiro é um paulistano que se refugiou na montanha. Casou-se com Regina Capistrano, mãe de Miguel, de 11 anos, e com ela teve duas filhas, as pequenas Mariana e Ana Clara. Eles compraram 5,5 hectares cortados por dois rios e nove nascentes d"água. Plantaram uma horta e construíram três cabanas para receber hóspedes. A pousada Sítio Pasárgada faz parte de um programa de inspiração francesa, a Acolhida na Colônia, onde turistas experimentam a vida no campo sem televisão, telefone ou internet. "Falo de rios limpos, rãs e matas intactas. As multinacionais dizem que vão preservar, mas a lógica delas é de quem só pensa em produzir", diz ele.

"A IFC não entende que a atividade de mineração seja destrutiva ao meio ambiente", rebate o diretor da empresa, Ademar Fronchetti, que espera obter o aval para as obras até o início de 2010. "Hoje, tanto as operações de mineração quanto os complexos químicos devem ser projetados visando condições de sustentabilidade, gerando riqueza e desenvolvimento, não só para o País, mas principalmente para a região onde está inserida."

AGRICULTURA ECOLÓGICA

O agroturismo é uma atividade referência em Anitápolis e nas cidades vizinhas das encostas da Serra Geral, uma vasta área de vales e montanhas banhada pela Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão. Mais de 30 propriedades aderiram ao Acolhida na Colônia, que gera renda extra aos agricultores, mas exige preservar nascentes e tratar o esgoto. Outra vocação é a agricultura orgânica, praticada por famílias como a Willemann, em Santa Rosa de Lima. Cenouras, beterrabas, brócolis, vagens, pepinos e cebolas são produzidos sem agrotóxicos ou fertilizantes e vendidos a supermercados de São Paulo. "O maior problema é que vão mexer com a água. Ela é tudo para nós", preocupa-se Alexandre Willemann.

Na beira do Rio dos Pinheiros, afluente do Rio Braço do Norte, um dos principais formadores da bacia do Tubarão, os primos Antonio José e Valdenir Coelho identificaram uma grande rocha branca e levaram um especialista para conhecê-la. Descobriu-se que era o carbonatito, proveniente de uma mina de fosfato. Era fim dos anos 1970, quando agricultores das redondezas plantavam batatas e colhiam superbatatas. Havia fosfato demais no solo.

A empresa Adubos Trevo, hoje da Yara Brasil, arrematou o terreno e, com o fantasma da mineração, Anitápolis conheceu o êxodo rural - dos 8 mil habitantes, hoje são 3,3 mil.

Em 1987, quando a Adubos Trevo sondava o terreno, a Organização das Nações Unidas cunhava o termo "desenvolvimento sustentável". Desenvolver e preservar, dois lemas-chaves para o futuro, tem hoje interpretações distintas em Anitápolis. Prefeitura, Estado e União defendem o projeto da IFC. Outros prefeitos, ambientalistas e o Ministério Público são contra.

Por ano, a mina da IFC deve produzir 1,8 milhão de toneladas de fosfato, 500 mil toneladas de super fosfato simples, 200 mil toneladas de ácido sulfúrico (usado na mineração) e descartado 1,2 milhão de toneladas de material estéril. A área de lavra virará uma cratera a céu aberto e terá vida útil de 33 anos. A produção usará a água captada no Rio dos Pinheiros.

A previsão é de gerar 1,5 mil empregos na obra que durará três anos e 450 para a operação. Na região, não há trabalhadores especializados. A IFC vem pagando cursos de capacitação pelo Senai. "A mineradora atrairá outras empresas que gerarão empregos", diz o prefeito de Anitápolis, Saulo Weiss. Se o projeto vingar, a cidade verá o orçamento passar de R$ 4 milhões para R$ 6,5 milhões. O Estado e a União arrecadarão outros R$ 7,5 milhões em tributos.

TRANSPORTE DE CARGAS

Os prefeitos Evanísio Uliano, de Braço do Norte, e Celso Heidemann, de Santa Rosa de Lima, afirmam que só souberam do empreendimento após o aval do órgão de licenciamento estadual. "Há uma população em pânico. É preciso mais audiências e uma consultoria independente que ateste a segurança da obra", diz Uliano.

O transporte das cargas, desde o enxofre para a mineração que virá importado pelo Porto de Imbituba até o destino final do fosfato em Lages, ocorrerá pelas rodovias BR-101, BR-282 e SC-407. A partir de Lages, o produto será escoado por ferrovia. O prefeito de Rancho Queimado, Evanísio Leandro, teme pelo vaivém de caminhões, que passam, em média, a cada dez minutos. Sua cidade possui mais de 30 condomínios com casas de fim de semana para moradores de Florianópolis.



terça-feira, 15 de setembro de 2009

AMBIENTALISTA QUEIMADO VIVO

Modesto Azevedo é militante de causas ambientais e de inclusão social. Foto:Flávio Neves

Líder comunitário defensor de áreas de proteção ambiental sofre atentado
Polícia ainda não tem pistas dos autores da agressão

O líder comunitário e ambientalista Modesto Severino de Azevedo, de 53 anos, foi sequestrado bem no local mais movimentado da capital catarinense, no centro da cidade de Florianópolis, levado por dois homens dentro de um carro, amarrado e jogado em um aterro, foi embebido por líquido inflamável e ateado fogo em seu corpo.

Modesto é conhecido pela sua luta ambiental contra grandes grupos imobiliários e sua luta pode estar por trás desse atentado cruel.

Segundo reportagem do Diário Catarinense ele foi sequestrado na quinta-feira quando caminhava pela Praça XV, no Centro, e levado até o aterro do bairro Estreito onde duas pessoas atearam fogo na vítima amarrada. Teria se livrado do fogo rolando até o mar da Beira-Mar Continental, assim que os agressores fugiram.

Azevedo contou aos policiais que em nenhum momento foi citado o motivo do ataque ou nome de um possível mandante. O delegado de Capoeiras, Ricardo Régis, diz que a ação dos criminosos sugere tentativa de intimidação.

Além da falta de pistas a polícia também não tem testemunhas do crime. O delegado espera que as imagens do circuito de segurança ajude nas investigações. Os criminosos não estavam encapuzados, mas o líder comunitário afirmou que os rostos são desconhecidos.

Outra linha de trabalho é a localização do Meriva usado para sequestrar Modesto. O delegado Ricardo Régis diz que se o carro for encontrado é possível levantar o histórico do veículo e descobrir informações dos criminosos. Mas mesmo havendo imagem das câmeras de videomonitoramento talvez a placa não possa ser identificada.



quarta-feira, 3 de junho de 2009

MISS DESMATAMENTO


Ativista do Greenpeace é detida ao realizar manifestação contra a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), no Congresso Nacional. A bancada ruralista, da qual a senadora faz parte, pediu nesta terça-feira (2) a saída do ministro Carlos Minc da pasta do Meio Ambiente.

E quem pede para essa senhora ir plantar batatas?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

VIVA A MATA 2009

Pelo terceiro ano consecutivo a RPPN Rio das Lontras estará participando do Viva a Mata, realizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Estaremos no estande das Reservas Particulares e vamos mostrar os trabalhos realizados no Plano de Manejo.


Viva a Mata 2009 reúne diversas atrações e atividades sobre a Mata Atlântica de 22 a 24 de maio no Parque Ibirapuera

Promovido pela SOS Mata Atlântica, evento aberto ao público em geral, traz atividades culturais, palestras, oficinas e exposição de maneira mais interativa, tudo gratuito

A Fundação SOS Mata Atlântica realiza a quinta edição do Viva a Mata - mostra de iniciativas e projetos em prol da Mata Atlântica, aberto ao público em geral na Marquise e Arena de Eventos do Parque Ibirapuera, em São Paulo, entre os dias 22 e 24 de maio, das 09h às 18h. O evento tem como principais objetivos comemorar o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio), informar e conscientizar a sociedade. Para tanto, uma intensa programação gratuita é oferecida, com estandes temáticos, auditório para palestras e debates, oficinas interativas, distribuição de mudas de espécies nativas, peças de teatro, mobilizações e muito mais. A iniciativa conta com o patrocínio do Banco Bradesco e apoio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA).

Durante o evento serão expostos cerca de 100 projetos de conservação da Mata Atlântica realizados pela própria Fundação e por ONGs que atuam em diversas regiões, divididos em estandes temáticos: Reservas Particulares, com proprietários de terra mostrando sua luta para proteger um pedaço considerável do Bioma; Reciclagem com oficinas diárias de customização de camisetas, e demonstração de móveis feitos com pneus; Túnel dos Sentidos, que possibilita aos participantes entrarem de olhos vendados e experimentar sons, cheiros e texturas da floresta; Costa Atlântica, que conta com réplicas de tartarugas marinhas em tamanho real trazidas pela Fundação Tamar; Conservação Regional; Lagamar; Educação Ambiental; Empresas e Mata Atlântica; Água, Centro de Experimentos Florestais; Restauração Florestal; Produtos Sustentáveis; além do estande institucional da SOS Mata Atlântica, onde acontecerão todos os dias, às 16h, oficina e distribuição de mudas nativas, e do Banco Bradesco. Nos estandes, haverá cartazes, painéis ilustrativos, maquetes e demonstração de produtos para explicar os vários projetos desenvolvidos pelas instituições no esforço de proteger a Mata Atlântica.

De acordo com Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento da SOS Mata Atlântica, o Viva a Mata é uma maneira de atrair a sociedade para a causa ambiental, já que permite o acesso a informações do Bioma de uma maneira mais interessante e lúdica, mostrando o que elas podem fazer em seu dia-a-dia para contribuir com a preservação do meio ambiente. “No ano passado conseguimos atingir 75 mil pessoas e agora queremos que ainda mais gente entenda o que pode fazer pela Mata Atlântica”, explica.

O evento também conta com o Espaço Arena, onde acontecem todos os dias atividades físicas com a Academia Ecofit, bate-papo com celebridades (promovidos em parceria com a Rádio Eldorado), jogos, peças de teatro, rodas de conversa, entre outras apresentações. Além da Arena, há o auditório Oca, com palestras sobre temas como reservas marinhas extrativistas, restauração florestal, monitoramento da Mata Atlântica, educação ambiental, Unidades de Conservação e vários outros. No sábado e no domingo, os voluntários da SOS Mata Atlântica vão receber o público no espaço Amigos da Mata, com painéis sobre questões como o clima e a água, jogos e atividades educacionais.

O Viva a Mata oferece aos visitantes de todas as idades a oportunidade de conhecer de maneira mais interativa a importância do Bioma em que habita e aproximar a sua relação com o meio ambiente. Como exemplo, o espetáculo “História Molhada 2 – a Aventura Continua” é feito com materiais reaproveitados e recicláveis, pela Cia. Trem Bão. A peça mostra a importância da água no mundo e os cuidados que todos devem ter com este bem natural e aborda temas como: preservação do meio ambiente, ciclo da água, doenças de veiculação hídrica, combate à dengue, esgotamento sanitário, processo do tratamento do esgoto e problemas causados pelo lixo. Recheada de canções com ritmos variados, a peça trata de assuntos sérios sem perder o bom humor da encenação.

Novidades

Nesta edição, as crianças poderão também brincar no Espaço de lazer certificado da Lao Engenharia, que ficará montado nos três dias de evento. Feito com madeiras nativas certificadas (FSC) e comunitárias, o brinquedo possui escorregador e calotinhas de segurança montados a partir de acessórios plásticos com matéria prima 100% reciclada pós-consumo, degraus da escada de madeira plástica, reciclagem 100% pós-consumo de plásticos de diversas origens (excluindo PVC), escalada de pneus reaproveitados e rede de cordas recicladas, placas de fibras vegetais e resinas de PET recicladas pós-consumo.

O diretor de Mobilização da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, destaca que neste ano, será lançado durante o evento o projeto “A Mata Atlântica é aqui – exposição itinerante do cidadão atuante”, com patrocínio do Bradesco Cartões, da Natura e da Volkswagen Caminhões e Ônibus. Trata-se de um veículo, totalmente adaptado, com palco para manifestações artísticas de temática socioambiental, que percorrerá mais de 40 cidades das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste promovendo em cada um destes locais atividades de conscientização, mobilização e educação sobre a importância da Mata Atlântica. Os resultados do primeiro ciclo do projeto serão apresentados no Viva a Mata 2010.

O projeto terá educadores ambientais, que promoverão mostra de vídeos, atividades com escolas, plantios de mudas nativas, jogos educativos, palestras, oficinas interativas e mutirões de cidadania. “Vamos sair dos grandes centros e mostrar como todo mundo pode colaborar facilmente numa grande maratona para sensibilizar crianças e adultos”, avisa Mantovani.

Pela primeira vez, a Semana da Mata Atlântica, organizada pelo Ministério do Meio Ambiente, a Rede de ONGs da Mata Atlântica e a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, será realizada de forma integrada ao Viva a Mata, também no Parque Ibirapuera. Este evento terá parte das atividades abertas ao público e algumas reuniões fechadas, no Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera. A programação prevê a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e promoverá a discussão de estratégias para a conservação da Mata Atlântica, como mosaicos, corredores de biodiversidade, gestão compartilhada de áreas protegidas e políticas públicas para o Bioma.

Estrutura

O Viva a Mata 2009 tem sua cenografia idealizada por Nido Campolongo, que utilizará materiais reciclados e recicláveis, como anéis de papelão para construir os estandes, algumas peças de mobiliário, como balcões e mesas, além de uma oca onde acontecem as palestras. Banners, luminárias de pet pós-consumo e produtos provenientes de madeira de reflorestamento certificada serão utilizados para lounges e esculturas. A proposta de Campolongo tem por objetivo provocar no público a reflexão sobre escolhas e reutilização de materiais como alternativa de construção de eventos com valor estético e socioambientais agregados.

Mais uma vez, a ONG Pueras (Para Unir Essa Rapaziada A gente Sua) em parceria com a Cooperativa Viva Bem, realizará a coleta seletiva de todo o material reciclável antes, durante e depois do evento, além de desenvolver um trabalho de sensibilização e conscientização com os montadores, expositores e visitantes da mostra. Para esta edição, o Núcleo de Catadores do Tremembé e o Núcleo de Catadores do Tietê serão beneficiados com a verba obtida por meio da venda dos materiais recolhidos por eles mesmos no evento.

Visitas monitoradas

Os professores de escolas públicas e privadas interessados em agendar visitas monitoradas e participar de atividades práticas, podem se inscrever previamente pelo e-mail educacao@sosma.org.br ou pelo telefone (11)3055-7888 no ramal 7875. As visitas acontecem nos três dias de evento, das 9 às 17h, têm duração de uma hora, são abertas para estudantes acima de 6 anos de idade, para grupos de no máximo 42 alunos com 2 acompanhantes responsáveis. As vagas são limitadas. Os participantes das visitas (e os demais visitantes) também são convidados a participar da Sucateca montada por educadoras voluntárias da SOS Mata Atlântica.

Expositores confirmados

Entre os expositores já confirmados para os estandes temáticos estão o Instituto Maramar, a ONG Ecosurfi, Conservação Internacional, o Instituto Ambiental Vidágua, as cidades do Pólo Ecoturístico do Lagamar, a Fundação Tamar, a Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (Amane), Arte em Pneus, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica (Ipema), Instituto Terra de Preservação Ambiental, Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia (IESB), Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (AQUASIS), Instituto Floresta Viva, Associação Amigos do Futuro, Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais, Academia Ecofit, entre vários outros.

Mais informações pelo e-mail comunicacao@sosma.org.br, pelo site www.sosma.org.br ou pelo telefone (11) 3055-7888.

Confira a programação preliminar

Auditório Oca

Sexta-feira:
11h às 12h – Palestra – 30 anos de Atol das Rocas
12h às 13h – Palestra – Estação Ecológica de Guanabara / APA de Guapimirim
13h às 14h – Palestra – Indicadores de qualidade da água, Projeto Tietê – marco zero
14h às 15h – Apresentação dos dados do Atlas da Mata Atlântica
15h às 16h30 – Palestra – Pegada de Carbono e Programa 3Rs– Ecosfera 21
16h30 às 18h – Palestra – Mata Atlântica & Pesca

Sábado:
9h às 10h – Observação de Aves no Ibirapuera – Avistar no Viva a Mata (inscrição prévia pelo site www.avistarbrasil.com.br)
10h às 11h30 – Painel – Resultados do Programa de Incentivo às RPPNs
11h30 às 13h – Mesa redonda Educação para a conservação - Amane
13h às 14h30 – Mesa redonda Reservas Extrativistas Marinhas na costa da Mata Atlântica
14h30 às 15h30 – Palestra – Iniciativas pela Restauração da Mata Atlântica
15h30 às 16h30 – Reserva Legal na Mata Atlântica – Frente Parlamentar Ambientalista
16h30 às 17h30 – Plataforma Ambiental nos governos locais – Frente dos Vereadores 18h – Mobilização – Mata Atlântica na cidade – o problema é com você!

Domingo:
9h às 11h – Roda de conversa do Mata Atlântica vai à Escola
11h às 12h – Palestra –Projetos da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente
12h às 13h30 – Mesa redonda – Gestão participativa em unidades de conservação – Mater Natura
13h30 às 14h30 – Palestra – 25 anos da Área de Proteção Ambiental Cananéia Iguape Peruíbe
14h30 às 15h30 – Palestra e exibição de vídeo – espécies invasoras na Mata Atlântica
15h30 às 17h – Palestra Pesquisas do Instituto Butantan na Mata Atlântica, com ênfase nas ilhas do litoral
17h às 18h – Palestra – Água das Florestas Tropicais – Rede das Águas

Espaço Arena

Sexta-feira:
9h às 11h – Atividade física com Academia Ecofit
11h às 12h30 – Jogo dos Bichos
12h30 às 14h – Sucateca / Reciclagem com Voluntários SOS Mata Atlântica
14h às 15h30 – Umapaz – Aventura Ambiental no Parque Ibirapuera (inscrições pelo email cintia_kita@hotmail.com ou telefone 11 55721004)
15h30 às 17h – Apresentação de cobras e outros animais peçonhentos do Instituto Butantan
17h às 18h – Bate papo Planeta Eldorado com artistas convidados

Sábado:
9h às 11h – Atividade física com Academia Ecofit
11h30 às 13h – Roda de conversa sobre abordagem colaborativa
13h às 15h – Teatro de bonecos – Amigos da Mata – Voluntariado SOS Mata Atlântica
15h às 17h – Peça de teatro – A cigarra e a formiga – Cia Estúdio Mágico
17h às 18h – Bate papo Planeta Eldorado com artistas convidados

Domingo:
9h às 11h – Atividade física com Academia Ecofit
11h às 12h30 – Conservação e turismo: a experiência da Prainha Branca
12h30 às 14h30 – Dinâmicas com o Instituto Supereco – Salve com um abraço, bate papo com cientista e Corredores de Biodiversidade
15h às 17h – Peça de teatro – História Molhada 2 – a Aventura Continua – Cia Trem Bão -
17h às 18h – Bate papo Planeta Eldorado com artistas convidados

domingo, 22 de março de 2009

Resultado do VII Edital do Programa de Incentivo às RPPNs da Mata Atlântica

O Programa de Incentivo às RPPN da Mata Atlântica apoia o Plano de Manejo da RPPN Rio das Lontras - VEJA AQUI!.


Resultado do VII Edital do Programa de RPPNs


Neste ano foram selecionadas propostas de 13 estados, contemplando um total de 58 reservas: 43 novas RPPNs e 15 para elaboração de plano de manejo.

O Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) da Mata Atlântica, coordenado pela Aliança para a Conservação da Mata Atlântica (uma parceria entre as ONGs Fundação SOS Mata Atlântica e Conservação Internacional) e a The Nature Conservancy (TNC), traz o resultado do seu VII Edital, que destinará R$ 500 mil aos 43 projetos selecionados que irão apoiar a criação de 43 novas RPPNs, e a elaboração do plano de manejo de 15 Reservas já existentes. “O resultado do Edital mais uma vez surpreende: tivemos um acréscimo de 50% no número de propostas recebidas em relação ao ano passado. Esta edição tem ainda uma característica especial, pois, pela primeira vez, o edital esteve aberto para todo o Bioma para atender a demanda no território da Mata Atlântica e verificar o interesse dos proprietários de terra das outras regiões. O resultado foi excelente, recebemos 148 propostas e, destas, 43 foram aprovadas”, explica Erika Guimarães, coordenadora da Aliança para a Conservação da Mata Atlântica e do Programa de Incentivo às RPPNs. Os recursos são provenientes do Bradesco Cartões, Bradesco Capitalização, TNC e da parceria inédita com o Fundo de Conservação da Mata Atlântica - Funbio/KfW.

Os projetos selecionados neste edital abrangem os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Ceará, Sergipe e Alagoas. As propriedades contempladas no edital devem ampliar em 3.760 hectares as áreas protegidas por meio da criação das novas reservas e apoiar o plano de manejo de 8.387 hectares em RPPNs já existentes na floresta mais ameaçada do País. As reservas privadas são extremamente importantes para o estabelecimento dos corredores de biodiversidade, pois contribuem para a reconexão dos blocos isolados de floresta.

O incentivo à formação de corredores de biodiversidade é uma estratégia de conservação utilizada desde o início do programa para a proteção da biodiversidade em diferentes escalas, buscando a representação de diferentes ecossistemas, o manejo integrado da rede de unidades de conservação, contribuindo para manter ou incrementar a conectividade da paisagem. As estimativas indicam que, se adequadamente manejados, esses corredores podem, coletivamente, proteger 75% das espécies ameaçadas da Mata Atlântica.
"A resposta ao edital indica que a sociedade brasileira tem um grande potencial e interesse em contribuir para a conservação da Mata Atlântica. Os resultados obtidos mostram que a ampliação da área contemplada pelo programa foi uma decisão acertada. E isso determinou um processo mais competitivo pelos recursos e permitiu que novas regiões também estratégicas para a conservação da biodiversidade, onde antes não atuávamos, como as florestas estacionais de Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais, pudessem ser beneficiadas pelo programa", conclui Monica Fonseca, especialista em áreas protegidas da CI-Brasil.
De acordo com o diretor do programa de Conservação da Mata Atlântica da TNC, Miguel Calmon, “o aumento do interesse e número de propostas aprovadas nesse edital demonstra mais uma vez a importância e o compromisso dos proprietários privados na conservação da Mata Atlântica. Fazer parte desse importante programa e desta parceria tem sido muito gratificante para a The Nature Conservancy”.

”Em nossa parceria com o banco de desenvolvimento alemão KfW um dos principais objetivos é fortalecer o sistema de áreas protegidas da Mata Atlântica. Acreditamos que viabilizar a abertura do edital para todo o bioma certamente faz diferença nesse contexto. O apoio ao Programa de Incentivo às RPPNs foi também uma ótima oportunidade para conhecer mais de perto os desafios e o potencial desse tipo de unidade de conservação” avalia Erika Polverari, gestora do Funbio responsável pelo Fundo de Conservação da Mata Atlântica - Funbio/KfW.

O Programa tem contribuído para aumentar em quase 50% o número de RPPNs no Bioma, mostrando, por um lado, o interesse de proprietários de terra com a conservação e, por outro, o grande potencial dessa categoria de Unidades de Conservação para fortalecer as políticas de proteção da Mata Atlântica.

Propostas selecionadas pelo VII Edital:

Criação individual:

RPPN Nhandara Guaricana RPPN dos Guaribus
RPPN Dutra e Pimenta
RPPN Muriqui
RPPN Fazenda Sossego do Arrebol
RPPN Paulino Veloso Camelo
RPPN Passarim Oxum
RPPN Morro da Lucrécia/ Dona Benta e Seu Caboclo
RPPN das Cachoeiras
RPPN Sertão do Pantanal
RPPN Boa Vista
RPPN Pedra do Baú
RPPN Fazenda Flora Real
RPPN Sítio São Jorge
RPPN Fazenda das Palmeiras
RPPN Verbicaro
RPPN Pinhão Assado
RPPN Nascentes do Aiuruoca
RPPN Sítio Bacus
RPPN Reserva do Açude
RPPN Victor Emanuel
RPPN Garganta do Registro

Em conjunto:

RPPN Cabeceiras do Rio Itajaí - terreno A
RPPN Cabeceiras do Rio Itajaí - terreno B
RPPN Fazenda Curió
RPPN Fazenda Montenegro
RPPN Fazenda Jacumirim
RPPN Fazenda Queimadas
RPPN Fazenda Fragoso
RPPN Irmãs Grimm
RPPN Serra do Lucindo
RPPN Fazenda Santa Cruz
RPPN Santa Luzia II
RPPN Fazenda Mangabeiras
RPPN Fazenda Renascer
RPPN Château das Borboletas
RPPN Quinta dos Cedros
RPPN Estância do Atash
RPPN Rancho Chapadão
RPPN Fazenda João de Baixo
RPPN Sítio Duas Barras
RPPN Agropecuária Guapiaçu

Plano de Manejo:

RPPN Caetezal
RPPN Cabeceira do Mimoso
RPPN Feliciano Miguel Abdala
RPPN Mata do Sossego
RPPN Fazenda Bom Retiro
RPPN Fazenda Bulcão
RPPN Estância Manacá
RPPN Sítio Palmeiras
RPPN Serra da Pacavira
RPPN Rancho Meu I e II
RPPN Chácara Edith
RPPN Maragato
RPPN Alto da Boa Vista I e II


Sobre o Programa:

A iniciativa foi lançada em 2003, com recursos do CEPF (Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos) e do Bradesco Cartões, para apoiar projetos de criação e gestão de RPPNs nos Corredores da Serra do Mar e Corredor Central da Mata Atlântica. Os projetos são apoiados por meio de editais lançados periodicamente e esta foi a primeira linha de financiamento no Brasil a atuar diretamente em projetos de proprietários de reservas (pessoa física), com o mínimo de burocracia.

Em 2006, a parceria foi estendida à The Nature Conservancy (TNC) e passou a contar também com patrocínio do Bradesco Capitalização, o que permitiu ao Programa ampliar sua área de atuação para o Corredor do Nordeste e a Ecorregião Floresta com Araucária, além do lançamento de uma nova linha de financiamento de projetos por meio de Demanda Espontânea. “A parceria nasceu da necessidade de integrar os esforços de conservação em terras privadas que já vinham sendo desenvolvidos pelas três instituições e aumentar a escala e efetividade de conservação num dos biomas mais importantes do mundo. Decidimos então focar os esforços no aumento do número das RPPNs, mas também na capacitação e fortalecimento dos principais atores envolvidos em conservação de terras privadas, buscando instrumentos econômicos e políticas públicas para garantir a sustentabilidade das RPPNs”, afirma Miguel Calmon, responsável pelo Programa de Conservação da Mata Atlântica da TNC.

O tamanho médio das RPPNs é bastante reduzido nesse Bioma, já que mais da metade (54%) tem áreas menores que 100 hectares. Mas, juntas, as quase 500 RPPNs decretadas até 2007 no Bioma cobrem mais de 100 mil hectares, representando uma chance única de engajamento no processo de conservação em terras privadas. As RPPNs são importantes também para proteger o entorno de unidades públicas como parques e reservas biológicas, reduzindo a pressão externa, além de contribuir para a conservação de inúmeras espécies ameaçadas de extinção da Mata Atlântica como o mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) e o papagio-chauá (Amazona rhodocoryta), entre outras.
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Sobre a Aliança para a Conservação da Mata Atlântica e a TNC:


A Aliança para a Conservação da Mata Atlântica nasceu em 1999, quando a Fundação SOS Mata Atlântica e a Conservação Internacional (CI-Brasil) firmaram essa parceria como forma de aumentar a escala e potencializar suas atuações a favor do Bioma. A principal missão da Aliança é contribuir para o fortalecimento do sistema de áreas protegidas na Mata Atlântica, reverter a perda de biodiversidade e estabelecer uma estratégia de comunicação e educação que contribua com os desafios de conservação. Em 2006, a ONG The Nature Conservancy (TNC) passa a ser parceira da Aliança no Programa de RPPNs, expandindo as ações em favor das reservas particulares, aumentando a área abrangida originalmente, a escala de trabalho, os investimentos e resultados para a conservação da Mata Atlântica.

domingo, 1 de março de 2009

INSTITUTO TERRA E A RPPN DO SEBASTIÃO SALGADO


Uma RPPN diferente, criada não onde existe uma mata, mas onde uma floresta está nascendo: O renomado fotógrafo Sebastião Salgado e sua esposa Lélia Wanick apostaram na idéia de recuperar um local que mais parecia o solo lunar, de tão devastado e árido.
A reportagem do Globo Rural mostra a experiência do renascimento da Mata Atlântica na Fazenda Bulcão e do trabalho do Instituto Terra. E Sebastião Salgado setencia sobre a humanidade: "...caminhamos contra a parede..." e Lélia complementa: "...os seres humanos não farão a mínima falta para o planeta..."


A fazenda, que chegou a ter 1,2 mil cabeças de gado, onde só havia pasto, aos poucos está virando floresta Atlântica. A Fazenda Bulcão, que fica em Aimorés, Minas Gerais, na divisa com o Espírito Santo, foi transformada num instituto que leva o nome do nosso planeta: Terra.

Quanto tempo é necessário para derrubar uma floresta? Hoje em dia, com equipamentos cada vez mais eficazes, isso é questão de semanas ou dias. E quanto tempo precisa para formar uma floresta em lugares onde árvore é só uma lembrança? Aí, o tempo se mede em décadas, ou séculos. Mas os primeiros resultados podem ser visíveis bem mais cedo.

Até 1998, a paisagem na fazenda Bulcão era de grandes pastos, solo degradado, erosão. Hoje o visual é bem diferente. A mudança na paisagem veio do sonho da arquiteta Lélia Wanick e do fotógrafo Sebastião Salgado.

Quem não gostou muito foi o antigo dono das terras. O seu Sebastião, pai do Sebastião fotógrafo, passou a vida substituindo floresta por pasto para criar gado. Jamais poderia imaginar que o filho seguiria o caminho inverso: acabar com o gado e o pasto para replantar árvores. “O meu pai achava que era uma coisa completamente sem sentido usar uma terra, que ele achava que a gente até podia viver dela, transformar numa floresta. E mais: que nós não somos ricos. A gente gastando o pouco de reserva que a gente tinha para iniciar esse projeto e o pessoal da cidade não acreditava, ficava grupinho de fazendeiro rindo da gente, achando que a gente estava fazendo uma loucura.”

O primeiro passo rumo ao sonho: transformar a fazenda degradada em floresta. E criaram uma RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural. Assim surgiu o Instituto Terra, uma associação civil, sem fins lucrativos, voltada para a preservação do meio ambiente. “Na verdade, a gente tinha uma idéia e foi regando essa idéia e isso foi se transformando num ideal, com as pessoas junto, numa planta imensa”, diz o casal.

No berçário da floresta há mudas de árvores nativas como o jequitibá, pau-brasil, paracaju e café-do-mato. Quanto maior a variedade melhor, já que a idéia é reconstituir a Mata Atlântica, uma das florestas com a maior biodiversidade do planeta.

Mais tarde, o plantio no campo deve seguir princípios ecológicos bem definidos. Numa floresta, as primeiras espécies a surgir são as pioneiras, árvores que precisam de muita luz, crescem rápido e fazem a sombra necessária para as espécies seguintes, as secundárias. Por último vêm as chamadas "espécies clímax". Essas são as mais altas da floresta.

Na área onde o plantio é recente dá para observar bem o espaçamento. “Nós trabalhamos com 2 X 2. Dá quatros metros quadrados por planta, que daria 2.300 a 2.500 plantas por hectare. Em via de regra nós trabalhamos com 60% de espécies pioneiras, com 30% a 35% de espécies secundárias e de 5% a 10% de espécies clímax. O custo está girando em torno de R$ 7 mil por hectare”.

Hoje, dos 710 hectares da fazenda metade já recebeu novas mudas. O manejo procura sempre associar a recuperação da floresta com algum ganho para o agricultor. Isso para estimular a preservação. É o que acontece na área onde não existiu plantio nenhum.

“Essa capoeira estava muito infestada de cipós, taquaras e espécies pioneiras, que estavam dominando e colocando essa capoeira em degeneração. Então, nós estamos fazendo um manejo que consiste não em eliminar indivíduos, mas fazendo desramas, tirando os ramos dos indivíduos que estão em excesso, competindo na própria planta. O fruto dessa desrama é a lenha. Nós tiramos de dentro da mata para poder mensurar, que era um serviço que o produtor poderia fazer, beneficiando a floresta, aumentando a diversidade e obtendo um produto que é a lenha”, revela Jaeder.

O plantio, no Instituto Terra, não é só de mudas. No lugar também se plantam idéias. Os alunos do centro de estudos avançados do Instituto Terra são jovens técnicos agrícolas que buscam especialização em meio ambiente.

A maioria aqui vem de família rural. Daniel veio de Ipanema, Minas. Ele é da primeira turma de alunos e terminado o curso foi contratado para trabalhar no viveiro de mudas.

O rapaz, que deveria levar seus conhecimentos para ajudar o pai na criação de gado de leite, acabou virando plantador de árvores.

“Gera conflito dentro da própria casa e eu que estou aqui fora porque o meu avô, até mesmo meu pai e minha mãe, vão precisar de madeira e, muitas vezes, em vez de trabalhar sustentavelmente acabam cortando árvores pra fazer cerca, pra fazer construção civil mesmo”, disse Daniel.

Oitenta por cento dos recursos que mantêm o instituto vem do exterior. É um investimento que mudou a vida de muita gente. O jardineiro Manoel Bernardo Lopes já foi o vaqueiro Manoel, nos tempos do velho Sebastião Salgado. “No início a gente estranhou porque a gente já tinha até mesmo pego amor pelas criações. Então, para ver ir todo mundo embora ficou meio estranho. Não passa sem doer um pouco o coração. Agora eu tenho o amor nas plantas, e até mais ainda”, revela.

O curral onde seu Manoel passava a maior parte do tempo está bem mudado, quase não se percebe que é o mesmo lugar. Ele cuida das plantas do jardim como se fossem dele. Afinal, o jardim fica mesmo na porta da sua casa. Ele é o único funcionário que mora dentro da área do instituto. Ele e dona Rita Lopes participaram das primeiras conversas de Lélia e Sebastião sobre a necessidade de recuperar a natureza. “Eu não sabia desse perigo de acabar a água. Eu vivia aqui e não pensava nisso. Então, quando ele falou: ‘Rita, o lugar que tem mais água doce no mundo é o Brasil e ela está lá no Amazonas. É o lugar que tem mais água. E a água está acabando. Então nós precisamos acudir essas nascentes’. Eu acreditei que ia dar certo porque ele falou: ‘Rita, vai demorar dez anos’. Porque se ele falasse daqui a uma semana está pronto, aí era uma fantasia. Mas ele falou: daqui a dez anos nós temos mata de satisfazer o olho da gente”.

E demorou até menos. Há árvores com até 12 metros de altura na primeira área reflorestada na fazenda. Com exceção de algumas perobas mais antigas, todas as árvores foram plantadas pelo homem. Hoje a mata não precisa mais de manejo, já tem regeneração natural e até uma nascente voltou a brotar. À sombra destas árvores fica até difícil imaginar que tudo isso um dia já foi pasto.

ASSISTA A REPORTAGEM NA ÍNTEGRA EM DUAS PARTES:





Parte II:




sábado, 6 de setembro de 2008

DESMATAMENTO EM SANTA CATARINA

Plantações de pinus e eucaliptos me parecem cemitérios fúnebres com sua ordenação simétrica e enfilamento militar.

Cada vez mais áreas de mata nativa são derrubadas impiedosamente para dar lugar a plantação de monoculturas que empobrecem cada vez mais a diversidade biológica e compromete o futuro dos biomas, como a Mata Atlântica em Santa Catarina, derrubada criminosamente para dar lugar às plantações de pinus e eucaliptos (Vale escutar a música "Eucalipto" do grupo "Etílicos e Insanos" no blog da
CHRIS LONTRA).

O pior de tudo é que há apoio governamental para essa idéia insana.

Abaixo matéria do Diário Catarinense de ontem mostra um pouco desse grave crime contra a vida:


Área grande é desmatada no Planalto Norte

Fiscais do Ibama estiveram em uma área equivalente a quase 200 campos de futebol, ontem, no município de Bela Vista do Toldo, no Planalto Norte, que foi totalmente desmatada. A vegetação nativa foi derrubada para dar lugar ao plantio de pínus. Foi o maior foco descoberto na região em duas semanas de operação. O que mais chama a atenção dos fiscais é a quantidade de diferentes pontos de desmatamento.
Apenas 70% do que estava previsto para ser vistoriado em duas semanas de fiscalização foi atingido. De acordo com Olício Marques, coordenador da operação, as áreas foram mapeadas com o auxílio de imagens de satélite. Além disso, sobrevôos com helicópteros mostraram a existência de outros focos.

- Tem muita coisa aqui e já estamos pensando em prorrogar a operação na região - revelou Marques.

Até agora, estima-se que aproximadamente 750 hectares de desmatamento tenham sido flagrados. Os números não são finais, pois não estão computados os desta semana.

Aproximadamente 45 autos de infração já foram emitidos. As multas, se somadas, ultrapassam R$ 2,8 milhões. Todos os casos serão remetidos ao Ministério Público para as medidas judiciais.

De acordo com Marques, a escolha da região para ser executada a ação deve-se aos levantamentos feitos pela Ong SOS Mata Atlântica, que, por dois anos consecutivos, apontou o Planalto Norte como a região que mais desmata em Santa Catarina.

Para o coordenador da ação, o principal incentivador do desmatamento são os reflorestamentos. Empresas e grandes produtores derrubam a vegetação nativa para o plantio de pínus.

- O pínus é importante para o desenvolvimento econômico da região, mas não se pode permitir que sejam desmatadas áreas remanescentes para esse fim - afirmou.


MARCELLO MIRANDA | BELA VISTA DO TOLDO
Fonte: DC